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CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

10 Livros Que Li 2 Vezes

Por Amaro Figueiredo 

A magia do caminho é ler um livro.

Por detrás de cada livro escondem-se histórias, memórias, ilusões, criatividade, lugares, datas, fotografias, liberdade, pessoas e nomes. Há livros que prometem abundantemente o amor, vidas tristonhas, emoções fortes, reflexões e por vezes experiências heróicas.

Escolhi 10 livros que li (pelo menos) 2 vezes, num estilo de pensamento.

 

Uma Noite de Natal, Sophia de Mello Breyner

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E a brisa passava entre as agulhas dos pinheiros, que pareciam murmurar frases incompreensíveis. E vendo-se assim rodeada de vozes e de sombras Joana teve medo e quis fugir. Mas viu que no céu, muito alto, para além de todas as sombras, a estrela continuava a caminhar. E seguiu a estrela.»

 

 

O Arranca Corações, Boris Vian 

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«Os adultos são selvagens, ferozes ou infelizes, condenados à solidão, enquanto as crianças, cúmplices na magia, procuram secretamente a sua paixão de viver». Tudo isto numa «aldeia entorpecida na vergonha e na religião», onde «os trigémeos exploram o seu universo feérico enquanto uma mãe, que os ama demasiado, lhes reduz inexoravelmente o espaço»

Gilbert Pestureau

 

 

 

Vendedor de Passados, José Eduardo Agualusa

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«Um velho festeja o seu centésimo aniversário. Quis saber como é que ele se sentia. O pobre homem sorriu atónito, disse-me, não sei bem, aconteceu tudo demasiado rápido. Referia-se aos seus anos de vida e era como se estivesse a falar de um desastre, algo que sobre ele tivesse desabado minutos antes. Às vezes sinto o mesmo. Dói-me na alma um excesso de passado e de vazio.»

 

 

O Filho de Mil Homens, Valter Hugo Mãe

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«Todos nascemos filhos de mil pais e de mil mães, e a solidão é a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo. Como se os nossos mil pais e a nossas mil mães coincidissem em parte, como se fossemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros.»

 

Filho de Ninguém,  Michael Seed 

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«Por vezes, conseguia escapar-me para a área proibida para lá do muro e brincava com alguns dos miúdos mais pequenos.»

 

 

 

Gente Aparentemente Normal, Jorge Santos

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«Há coisas que não podem ser explicadas (...) Temos de as aceitar como são. Não aqui, - apontando para a cabeça - mas aqui. - Pôs a mão no coração. - Sentir é mais importante do que saber. Acreditar é mais recompensador do que comprovar a verdade.»

 

 


A Cigarra no Cinzeiro, Maria da Graça Pulquério

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«Parecia procurar o outro lado da árvore e continuava às voltas, com se nunca o achasse. (...) E era debaixo dos loendros e debaixo dos pinheiros que o veado escondia o temor da sua solidão, ao pensar que as copas das árvores eram grandes demais para que alguém conseguisse descobri-lo quando descessem os mensageiros das nuvens. (...)Qualquer coisa lhe dizia que o que pudesse vir só viria do céu.»

Medo

 

 

 

Germana,  A Begónia, Ricardo Fonseca Mota 

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«Eu não vou morrer, porque não existe morte para quem morre. (...) Eu não vou morrer, vou só acabar.»

 

 

 

 

O Beijo do Silêncio, Francisco Grácio Gonçalves 

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«Lendo-te as pálpebras do desengano (...) Esse abafo que agora prefiro.»

 

 

 

Memorial do Convente, José Saramago

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«há coisas no céu que não sabemos explicar, (...) soubéssemo-las nós e as coisas do céu teriam outros nomes.»

 

Nota

*Não estão pela ordem de preferência.  **"A Noite de Natal" ©Biblioteca Nacional de Portugal.