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Des i - depois, em seguida

CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

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CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

Esteban Urenda

Esteban é formado em artes plásticas pela Universidade de Guadalajara (México). É considerado o jovem Tapatío do expressionismo figurativo (género da sua pintura).

Procura mostrar a realidade (que domina na obra) de forma alterada. A quantidade de tinta, os movimentos da espátula,  as diversas cores, os olhos ou os corpos são - muitas vezes - os protagonistas dos seus sonhos em tela e é incrível o final; largamos o controlo da nossa visão com o grotesco belo. Veja-se os exemplos no seu instagram!

 

Somos capazes de aceitar o absurdo e reflectir?  

“considero que en la actualidad es complicado ser innovador en esta manifestación, he de confesar que una de sus piezas ya están dentro de mi colección personal.”

Carlos Valadez (actor, produtor, colonista...)

 

É apaixonada pela fotografia à “natureza morta”, observando a diferença das cores na decomposição do animal (a morte como ciclo natural).

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 ©Arquivo Pessoal

 

Arte VS Artista?

Artista. Difícil elección. Creo que una cosa lleva a la otra, el artista crea la obra y la obra crea la esencia del artista.

 

Ojos VS Manos?

Ojos. Para mí son muy importantes (los incluyo en toda mi obra), es la parte de ser humano que nos delata en toda la expresión. Es por donde entra la información, se encargan de juzgar, de admirar.

 

Pintar VS Sueño?

Sueño. Sueño como forma de pensamiento. Vivir en una constante ilusión o exageración sobre la realidad. Pintar también es importante claro (para mí lo es), pero si no hay sueñ o proceso creativo no sirve de nada la acción de pintar por pintar.

    

Tiempo VS Compartir?

Tiempo. Hay muy poco para hacer tanto. Es muy preciado poder estar a solas y descifrar los pensamientos. Estar en constante contacto con el interior. Tiempo para trabajar, tiempo para perderlo.

 

Muerte VS Vida?

Muerte. Como regla natural; todo muere. Todas nuestras acciones son ciclos que eventualmente tienen que terminar.

 

Antiguo VS Moderno?

 Antiguo. Soy persona del pasado, vivo con una enorme nostalgia sobre la historia detrás de las cosas. Tengo un interés por las eras de posguerras, como todo se tiene que adaptar durante y después de un suceso de tal magnitud. Antiguo como influencia hacia las generaciones futuras, trabajos que hicieron grandes figuras que se convierten en experiencias para crear nuevas imágenes.

 

Colores VS Amor?

Elijo el amor. El amor visto de una manera de querer, de querer lo que haces, de querer seguir haciendo cosas. Amor como pasión. Amar lo que está dentro de nosotros y la forma en que la mostramos al exterior.

 

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 ©Arquivo Pessoal

 

Perfecto VS Imperfecto?

Imperfecto. Distorsión, mutilación, abstracción.  No hay perfecto que lo imperfecto.

 

Cielo VS Tierra?

Tierra. Somos una sociedad arraigada a nuestras raíces, ver donde estamos parados y ver hacia donde vamos. Tierra, naturaleza

 

Calles VS Ventanas?

Ventanas. Luz, refugio, interior.

 

Figurativo VS Real?

Real. Las vivencias diarias nos llevan a formar un universo paralelo en nuestra mente, allí es donde podemos escondernos aunque sea por una pequeña fracción del mundo real.

 

Mágico VS Contradictorio?

Mágico. Escojo mágico, nos contradecimos bastante todo el tiempo. Magia para crear. Magia para pensar e imaginar.

 

Oportunidad VS Esfuerzo?

Esfuerzo. Trabajar, trabajar, trabajar. No es posible la oportunidad sin antes haber trabajado lo necesario. El esfuerzo nos lleva a la cima, o eso dicen…

 

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©Arquivo Pessoal

 

Día VS Noche?

Noche. El momento justo para estar en paz, muy pocos ruidos, muy poca luz, muy pocas personas. Mi hora favorita para pensar en nuevo proyectos.

 

Perdón VS Dolor?

Dolor. “somos adictos al dolor” siempre lo digo. Dolor como emoción, dolor para regresar y hacerlo mejor. Dolor como proceso creativo, por qué no…

 

Tolerancia VS Preconcepto?

Tolerancia. Ante todo y para todo.

 

Ganar VS Perder?

Perder. Perder para ganar y volver a perder.

 

Abrazos VS Facebook?

Abrazos. ¡Totalmente! (risas). Vivimos en una era en la que es más importante expresarlo todo en las redes sociales que perdemos el contacto personal con las personas que nos rodean.

 

Miedo VS Aventura?

Aventura. Aplicado a mi trabajo. La experimentación con nuevas herramientas, nuevos materiales, nuevas texturas. Es un constante aprendizaje que, al contrario del miedo, es siempre contar con las mismas experiencias. Siempre tengo miedo de hacer las cosas mal pero, ¿ quién me juzga? Soy el único que me puede juzgar, por eso prefiero la aventura.

 

Pincel VS Paleta?

Paleta. Prefiero tener un espacio físico donde poder hacer una mezcla interesante. En lo personal no soy mucho de pinceles, son herramientas eso es todo…

 

Gracias, Esteban. 

Gonçalo Salgueiro

O Alentejo no Coração.

 

Gonçalo Salgueiro nasceu com alma pura portuguesa. Quis Deus que nascesse alentejano, mas quase ali no limite com o Ribatejo. É Fadista de corpo e alma, faz do fado a sua vida. Amália Rodrigues chegou a dizer ao seu pai que seria uma dos três maiores fadistas masculinos de Portugal. O pai negou-se, mas Gonçalo lutou por se tornar um dos grandes nomes do Fado.

 

Com voz afamada e o sangue fadista, rapidamente começa a fazer sucesso entre os demais. Mas é interpretando Eduardo Ricciardi, no músical de Filipe La Féria "Amália" que as atenções recaem sobre si. Começa então a tornar-se evidente a sua forma pura de alma lusitana, Amaliano e Voz do Fado.

 

Lança vários CD's, participa em vários projectos, mas é com "Prece" que chega até mim. Foi um deleite conhecer todo o trabalho do Gonçalo que dá voz aos Fados de Amália, cantando-os com a garra que a Diva tanto merece para se lhe fazer jús. Gonçalo não é mais um, é o grande fadista dos nossos tempos, encantando com o seu trabalho.

 

Recentemente lançou "Mãe" um trabalho em homenagem à mulher da sua vida. Fomos ter com ele e de logo aceitou o nosso convite.

 

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©Arquivo Pessoal

Palavra Escrita Vs Palavra Cantada?

Não existe uma sem a outra , sem alguém inspirado e decidido a contar uma história que passa ao papel ,o interprete não pode criar as" imagens e ambientes vocais " que prendem o publico e nos fazem sonhar , rever , chorar ou rir.

 

Céu Vs Infinito?

O céu é um limite sem limite , uma meta a alcançar , um paraíso final , o habitat dos deuses ... o infinito é o desconhecido , o tudo e o nada , a alma imortal que cada um alberga dentro em si.

 

Sentimentos Vs Paixão?

Paixão é a erupção dos sentimentos , um exacerbar da condição animal humana , uma força motriz que cria , sustenta , levanta, mas ... por vezes, apenas  aniquila os sentimentos e a razão e o próprio que a carrega.

 

Mar Vs Amália?

Amália é o mar do sentimento português que num tsunami de talento inundou o mundo e o tornou maior.

 

Sorrisos Vs Abraços?

Tenho medo ...podem sempre ser falsos.

 

Palco Vs Casas de Fado?

Sempre , para mim , o escuro e a solidão do palco ... onde estou sozinho comigo e o que sinto , onde é minha e dos meus sentimentos a respiração que sinto.

 

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 ©Arquivo Pessoal

 

Ignorância Vs Arrogância?

Andam de mãos dadas dentro de seres que muito perdem da vida.

 

Razão Vs Coração?

Gosto de pensar que se complementam e que uma actua a mando da outra , alternando na ordem de importância consoante a circunstância e a capacidade de cada um , juntos são invencíveis ... separadas  podem causar perdas muito grandes.

 

Destino Vs Sonhos?

O sonho comanda a vida de tantos  e o destino de muitos , eu não tenho grandes sonhos e o meu destino só o saberei no final deste curto percurso que é a nossa efémera existência.

 

Piano Vs Guitarra?

Veículos dos sentimentos dos inspirados que pintam o mundo com cores de sons e harmonias que partem das suas almas e através dos seus dedos tocam a nossa alma. 

 

Deus Vs Homens?

Deus somos todos nós.

 

Crítica Vs Ações?

Quem não sabe fazer ... ensina ou critica ... Quem sabe ... faz, partilha, educa.

 

Pátria Vs Personalidade?

A pátria é um dos muitos filtros pela qual a nossa personalidade é formada.

 

 

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 ©Arquivo Pessoal

 

Mãe Vs Vida?

Sinónimos. 

 

Montserrat Vs Maria Callas?

Uma grande cantora versus  um ser que de tão especial se libertou da lei da morte em vida.

 

Azul Vs Preto?

Azul trago no olhar... o Preto na alma ...

 

Mágoa Vs Perdão?

O mais certo de adquirirmos no nosso caminho e o que nem sempre alcançamos ... sobretudo de nós próprios.

 

Beleza Vs Humildade?

A beleza quando autentica é sempre despojada e humilde...

 

Alentejo Vs Alma?

Melancolia e tristeza...

 

'Povo que lavas no rio' Vs 'Prece'?

Duas orações de morte .

 

 

Obrigado, Gonçalo!

Belavista, de Lisa MCGee | Oficina Municipal de Teatro II

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 "o fascínio pelo que é real e o que é imaginado"

 
 

A Ana Morais está de parabéns. Arriscou na escolha e arriscou muito bem. Belavista de Lisa Mcgee  (tradução de Alexandra Barreto) é um texto forte e livre, com um manuseamento de palavras atrevidas, um jogo psicológico perigoso e ao mesmo tempo frágil.

Somos todos contadores de histórias com uma arma apontada à cabeça. 

 

A plateia está em palco, no abismo (antecipa cada dúvida, ou não). O imaginário, razões forjadas ou a justiça pela razão, este é o primeiro ponto. A arma, o longo amor do século... switchback.  

O esforço e a dedicação dos jovens actores (Ângela Mota; Ângela Nunes; Beatriz Fernandes; Francisca Eliseu; Guilherme Correia; Joana Oliveira; Maria Inês Carvalho; Mariana Santos; Marta Mesquita) compensou.
 

Bravo!

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 ©David Pinto


“Uma peça sobre a solidão, e como contar histórias ajuda a diminuí-la. O público é transformado em detective, procurando distinguir o que é facto do que é ficção. No centro da história está Lili. Uma doença não lhe permite sair do quarto, e a janela é a única ligação ao mundo exterior, de onde observa os seus vizinhos e passa o tempo a inventar histórias sobre eles. Um encontro fora do normal com Dara, outra rapariga do bairro, dá origem a uma amizade entre as duas adolescentes, com consequências tão hilariantes quanto perigosas.”

 

Actores: Ângela Mota; Ângela Nunes; Beatriz Fernandes; Francisca Eliseu; Guilherme Correia; Joana Oliveira; Maria Inês Carvalho; Mariana Santos; Marta Mesquita.

Direcção Artística do Projecto: Ana Morais

Produção: Câmara Municipal de Tábua

Apoio à Produção: Centro Cultural de Tábua – Biblioteca Pública Municipal João Brandão

Agradecimento: Carina Mendes; Gi da Conceição; Inês Nunes; Paulo Nogueira; Pedro Carvalho.

Sara Neves

Staying is even more impossible than leaving.
                                                      Hiroshima mon amour

A Sara é directora-geral da Nude Magazine Portugal ( Revista Online de Moda, Maquilhagem e Lifestyle).  "Odeia mentiras e injustiças." "A criatividade sempre esteve nela e através da escrita sempre soltou sentimentos, magia e sonhos." 

 

Falámos com a mãe da Sara no Dia da Mãe e pedimos-lhe que falasse da filha. 

-Eu acredito que uma mãe quando escolhe um nome a uma filha, não é por acaso.

Sara, significa ‘Princesa‘ e ‘dama‘, dizem que indica um caráter elevado, ligado às boas ações e a um comportamento exemplar que será amplamente reconhecido por meio da grande capacidade de se sobressair com méritos próprios.

Posso dizer que foi escolhido tangentemente ao acaso, um gostar sem ter o saber da razão.

Mas a menina que nasceu de mim é tudo isso, e não digo que é minha pois acredito que os filhos não são nossos…

Capricorniana de nascimento e daí as qualidades ressaltarem… inteligente, séria, trabalhadora, segura, independente e prática… gosta de andar bem vestida e cuidada… e a prova foi sempre dizer que queria ser estilista.

Odeia mentiras e injustiças. Sempre estará ao lado da família e dos amigos em momentos bons ou ruins. Cautelosa, é persistente e empenhada. Na profissão escolhe um caminho com rumo certo para chegar ao crescimento profissional e com sucesso.

“Qualquer semelhança -não- é mera coincidência". 

A Sara desde que estava na barriga que é assim. Foi uma amiga e confidente silenciosa durante 9 meses, mas que assim que viu a luz do dia, passou a ser a grande conversadora/palradora que tanto me deu gozo de ouvir até hoje… agora outra vez mais silenciosa pela distância e que o teclado diariamente teima em rasgar.

De uma teimosia admirável que desde pequena se faz notar, é firme no seu saber e nas suas capacidades. Não esqueço momentos de grande produção criativa desde cedo e que teve apogeu após o nascer dos seus dois partners, os irmãos. Havia teatro e dança e outras artes em casa.

A criatividade sempre esteve nela e através da escrita sempre soltou sentimentos, magia e sonhos.

O meu desejo de mãe é que cada vez mais se “solte” e produza, que realize anseios e nos encha deles. Que essa felicidade exista ao longo da sua Vida, pois só com esse bem-estar, seguramente conseguirá ser mais alegre e atenta para quem a ama.

Fátima Pais, a mãe

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  ©Arquivo Pessoal

Partilhar VS Viver?
Partilhar. Vivemos numa era em que a partilha é banalizada e até mesmo associada a uma certa futilidade e "necessidade de mostrar" - não concordo com esta visão, para mim partilhar é mostrar a nossa visão e inspirar.

 

Aldeia VS Cidade? 
Aldeia. Não há nada como o silêncio e calma. A cidade é triste, cheiamente vazia e cinzenta.

 

Mais VS Melhor? 
Melhor. Qualidade acima de quantidade. Sou muito perfeccionista, por vezes em demasia e irrita-me entregar algo em que não dê o meu melhor.

 

Afectos VS Fotografia? 
Fotografia. Não sou muito dada a afectos, prefiro eternizar momentos em fotografia, perder-me a enquadrar um plano e em todo o processo de pós-edição que é tão relaxante e criativo.

 

Escolhas VS Segredos? 
Escolhas. Tenho plena noção da benção que é poder escolher: por vivermos em liberdade, pela minha personalidade, por não ter medo de tomar um caminho ao invés de outro, pelo risco e responsabilidade que vem com a escolha e decisão.

 

Viajar VS Escrever? 
Escrever. Esta é difícil, mas antes de viajar já o fazia pela escrita. Quando tudo parece desmoronar à nossa volta, só precisamos de um papel e um lápis para inventar um mundo novo e viajar até lá.

 

Medos VS Conquistas? 
Conquistas. Todos temos os nossos medos e fantasmas mas afundarmo-nos neles não trará nada de bom. Acho que nos devemos focar nas nossas conquistas do passado e presente para os afastar e seguir caminho.

 

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  ©Arquivo Pessoal

Promessas VS Sonhos? 
Sonhos. Não gosto de promessas, não passam de palavras atiradas ao vento. Ter um sonho é ter um propósito de vida e guiá-lo para o atingir. Tenho muitos sonhos para cumprir.

 

Perfeito VS Imperfeito? 
Perfeito. Apesar do cliché de que ninguém é perfeito, considero que devemos adaptar o conceito à perfeição de cada um. A imperfeição acaba por ser desculpa.

 

Beleza VS Tolerância? 
Tolerância - é a base de qualquer relação humana (inter e intrapessoal).

 

Verão VS Inverno? 
Verão. Dias felizes e quentes, passeios na praia ao nascer do sol e gelado italiano ao fim do dia.

 

Preto VS Branco?  
Preto. Sempre preto. É a minha (ausência) de cor preferida.

 

Livre VS Raízes?  
Livre. Outra difícil! Mas a liberdade está acima de qualquer outra coisa, para mim.

 

Herdar VS Comprar? 
Herdar. Sentir o peso do tempo e a responsabilidade de continuar um legado, por todos o que o fizeram até chegar a mim.

 

Histórias VS Estórias?
Estórias. Desde pequena que sempre adorei que me contassem estórias de outros tempos, mitologia popular, episódios de vida - na esperança de, através delas, viver um pouco desses dias.

 

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  ©Arquivo Pessoal

Amor VS Saudade? 
Saudade. É inevitável lembrar com saudade momentos felizes que não tornarão, pessoas que já partiram e que nos fazem muita falta, todos os dias.

 

Liderar VS Obedecer?
Liderar. Há uns anos, uma professora da faculdade disse-me que devia ter um complexo de desafiar a autoridade. Talvez. Não acredito em hierarquias, nem entendo como se pode obedecer cegamente a ordens descabidas perante os nossos valores. O meu espírito crítico é demasiado proeminente para tal.

 

Desejar VS Criar?  
Criar. É o que mais gosto de fazer: todo o processo criativo de surgir uma ideia e a desenvolver até ao projecto final.

 

Ontem VS Amanhã? 
Amanhã. No meio do meu pessimismo crónico, acredito sempre que o amanhã será melhor.

 

Natureza VS Amizades?  
Natureza. As amizades vão e vêm. A natureza sempre foi "casa" para mim, um mundo por descobrir carregado de misticismo e cheiro a terra depois de uma chuva de primavera.

 

Obrigado, Sara.

 

Se Eu vivesse Tu morrias, de Miguel Castro Caldas

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© Vitorino Coragem

 

"Agradece-me
Sou um dos que te segura o chão"

Tiago Elias (1888-1965)

 

Tenho as falas nas mãos. Não sei mais nada. Estranho. Sinto que sou actor na plateia . Olho para as falas, leio (ao-mesmo-tempo-não-quero-ler) e eles representam. Olho para eles e já sei o que vão dizer. Sem falhas.  Nesse momento "o dramaturgo morre, e o actor ressuscita-o sem ele próprio morrer". 


Será que sabem que vou morrer para dar lugar a alguém? Será a morte um obstáculo? E o amor à espera de um lugar vago? 

 

Um texto de abandono e cheio de perigos, que lambe de mansinho. Os impulsos da carne, as raízes das árvores, as sombras. Cada pausa é pensada, sem tempo de retorno; regras esquisitas, mas com mérito. 


Um coração vermelho cosido na camisola da Lídia (Lígia Soares ),  a voz de Iago (Tiago Barbosa ) e os sonhos de Filinto (Miguel Loureiro),

Se Eu vivesse Tu morrias.
 ___
Passante, não chores a minha morte, se eu vivesse tu morrias, é a partir deste famoso epitáfio de Robespierre que surge o título desta peça. O passante e Robespierre não podem estar vivos ao mesmo tempo, e no entanto é isso que os dramaturgos e os atores fazem a grosso modo no teatro: o dramaturgo morre, e o ator ressuscita-o sem ele próprio morrer.
 
Com caráter de ensaio, de uma tentativa ou de uma investigação, Se Eu Vivesse Tu Morrias explora um dos limites do teatro: o texto. Contrariando a ideia de que um espetáculo de teatro decorre no presente, esta peça evidencia a não-presença, a fantasmagoria, o outro acontecimento que não é aquele que decorre no presente. 
 
Um espetáculo que não convoca os mortos para a vida, mas que nos convoca a nós para a morte, utilizando o texto como auxílio nesta viagem.
 
Se Eu Vivesse Tu Morrias ganhou o prémio SPA 2017 para melhor Texto Português representado.
 
 
Conceção Miguel Castro Caldas, Lígia Soares e Filipe Pinto 
Direção e texto Miguel Castro Caldas 
Criação, interpretação e figurinos Lígia Soares, Miguel Loureiro e Tiago Barbosa 
Criação, cenografia, imagem e figurinos Filipe Pinto 
Criação, som, vídeo e luz Gonçalo Alegria 
Direção Técnica Cristovão Cunha 
Criação e assistência aos ensaios Catarina Salomé Marques 
Pré-produção Marta Raquel Fonseca 
Produção executiva Vânia Faria 
Gestão e difusão [PI] Produções Independentes
Coprodução Fundação Caixa Geral de Depósitos – Culturgest e Fundação GDA
Apoio à produção Pólo Cultural das Gaivotas - CML, AND_Lab; Research on Art-Thinking & Togetherness; Máquina Agradável - Associação Cultural; Enseada Amena – Associação Cultural e Espaço do Tempo
Agradecimentos Ana Matoso, António Gouveia, Bruno Humberto, Fernanda Eugénio, Marta Rema, Miguel Cardoso e Susana Gonçalves

 

"josé" André Mariano

"Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso."

Fernando Pessoa (1888-1935)

O André tem o dom da palavra, de tirar ao coração a possibilidade de levar alguma coisa ao outro. É apaixonado pela figura de Fernando Pessoa: o desassossego em pessoa. "É um especialista em retratar Fernando Pessoa em performances ao vivo de pintura com os dedos"... é na ponta dos dedos que tem todos os sonhos do mundo. 

 

É autor do primeiro blog português sobre adopção na perspectiva do adoptado, sou mesmo josé (Blogs de Portugal). 

 

Arquitecto, marketeer, criativo,  visual merchandiser, formador, um empreendedor de sucesso. Criou a marca Gabirus ® - Já fui pé descalço que foi considerada uma marca portuguesa "que tem mesmo que seguir" (delas.pt). 

 

Faz parte do livro escrito e desenhado com 300 mãos, A Linha do Pensamento, a Cor da Emoção ( projecto da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho). 


"por isso questiono o sabor dos gomos da tua laranja... serão tão ácidos como os meus? não acredito. o que me leva a questionar mais uma vez sobre o doce tamanho dos teus gomos… e especular se um dia chegarão até mim para me aconchegar. é parvo. eu sei. mas um dia disseste que era grande, continuo a especular, eu sei. afinal de contas não passo de uma pequena ervilha…aprisionada em medos que conhece e luta por desconhecer."

Pesadelos, #soumesmojosé


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© Tie Me Up 

Generosidade VS Mudança?

sai uma fornada de pão quente para a mesa 5!
- senhor, senhor comei o pão antes que arrefeça.

estava sentado no banco daquela que seria a melhor esplanada da noite de Lisboa, quando ouvi alguém a falar de generosidade como se de pena se tratasse. desde então penso que ter pena é feio, por isso não gosto de ter pena. recuso-me...nem senti-la. acredito que a mudança é aquilo que faz de nós seres mais fortes e capazes. luto todos os dias para mudar...para me aventurar sentir. só assim, sou feliz a comer aquele que é o pão mais genuíno da cidade.

 

O dia VS Nesse dia?

sou uma pessoa de histórias e tenho uma especial para te contar. naquele dia ouvi aquela que seria a figura-mulher dos meus sonhos, dizer: “sabes ainda me lembro de quando eras pequenino e sorrias para mim com aqueles olhos que seriam mais puros que a própria verdade”. nostalgia. e desde esse momento fiquei preso ao que nesse dia se traduzia o começo da minha história. foi nesse dia que soube a verdade.

 

Medo VS Saudade?

ainda não te disse, mas sou mais medroso do que aparento. tenho medos que não posso revelar, pela angústia que isso me possa trazer. por isso sou prisioneiro de uma saudade que me tenta destruir e ao mesmo tempo me torna mais forte. saudade é o mote para que consiga preservar as coisas boas da vida e curar as feridas que sinto.


"Vai e sê feliz" VS "No silêncio do teu olhar"?

ainda oiço as tuas palavras de despedida...“vai e sê feliz!”, mas “no silêncio do teu olhar” senti que me mentias. sabes tão bem que não gosto que me mintam.

num deambular em círculos procuro, sempre, a verdade nos olhos que me fitam. sou incessante e só descanso quando sinto que o que dizes é sincero. recordas-te daquelas pausas que fazias enquanto me confrontavas com o teu olhar? senti que eram pausas de desconforto para não te deixares levar. mas ainda aqui estou! lembra-te que não existirá silêncio mais forte que um olhar vago... sem destino.

 

Buscar VS Trazer?

aventureiro por excelência... qualquer “josé” busca e não traz. busca detalhes, busca aventuras... busca momentos, mesmo sabendo antemão que lhe trarão algo de bom. assim penso. assim acredito.

 

Abraços VS Pintar?

sabes...sou uma pessoa de contacto...uma pessoa de carinhos e, se um dia já fui um sem tecto e afecto, não existirá nada mais importante para mim que sentir um forte e doce abraço. não sou carente mas preciso do teu toque para me sentir vivo e poder cuidar. deixas-me?

 

Raízes VS Liberdade?

já te contei a história do meu jardim? adianto-me à tua resposta e num sufoco ligeiro digo-te que é tão grande como o tamanho do meu coração. nele habitam os corações de oiro que tive a sorte de conhecer. somos fortes e são as nossas raízes que nos fortalecem no espaço e no tempo...levando a que sejamos um naquela que seria a narrativa das nossas vidas. não preso, mas seguro àquelas que são as minhas origens.

 

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 ©Arquivo Pessoal (Metropolitano Lisboa)

 

Inícios VS Finais?

a minha avó diz que sou um “bicho do mato”! sabes meu querido, disse um dia, “sempre foste um bicho do mato escondido num coração tão puro”. sem vaga modéstia… sei disso. sempre disse também que era um bom contador de histórias, mas era as escutá-las que a qualquer coração sentia apego. entre validações e gestos sinceros... prefiro sempre escutar “era uma vez”.

 

Céu VS Mar? 

agora é que me lixaste poderia dizer o poeta. mas eu digo... foste esperto! reconheço quem faz o trabalho de casa...e a ousadia que sente por me colocar entre a espada e a parede. não te esqueças menino...por muito conforto que sinto por procurar quem me amou um dia... nas ondas de um mar revolto...é no céu que procuro a vida.

 

Tolerância VS Preconceito?

não direi de caras que sou um vencedor, pois estaria a mentir, mas sou um guerreiro. luto. luto todos os dias pelo que acredito. não é fácil e, por vezes dói... machuca. mas um dia aprendi a tolerar. não fraquejei. apenas me transformei e aceitei. aprendi a dar tempo ao tempo... pois na guerra a vitória não chega logo, tal como a esperança não chega só, necessitando de ser trabalhada para que a bandeira seja hasteada.


"Pé descalço" VS Pé-de-amor?

já te disse, “já fui um pé descalço!”.


Instantes VS Lugares?

instantes são os momentos, mas o que nos leva a viajar e guardar no coração são os lugares. foge! chegou! e não consegui apanhar-te por tão breve que foi! nada disso. gosto de me recordar... de me lembrar... de visitar e deambular pelos lugares a que pertenço.

 

Cara VS Coroa?

não sou de riquezas, bem sabes. modesto e de raízes humildes... sou, aquilo que posso ser e não ser. coroa? não! cara! por favor.

 

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©Arquivo Pessoal 

 

Escrever VS Sonhar?

sonhar! bem a minha mãe diz que sou um “eterno sonhador” e, que se fosse irmão da minha prima não seriamos tão iguais. sei que posso contradizer-me, mas quando sonho sou livre. viajo e realizo, tornando as buscas... as minhas verdades.

 

Jardins VS Casa?

“lembras-te de ter dito que com o passar dos meses comecei a adquirir uma rotina inconstante? onde o ir levar, buscar e trazer eram sempre uma incerteza?”
hoje digo-te... que quanto mais tempo passava naquela casa... mais feliz era.

 

Nascer  VS Contador de Histórias?

procuro sempre a realidade das coisas. “contar histórias” deixo para os sábios. lembra-te...para que as histórias surjam é preciso nascer. nascer é viver para contar. quem sabe se um dia chegarei lá!? 

 

Poesia VS Reflexão? 

não há segredos nem romances que uma verdadeira reflexão não possa trazer. crua. sem mascaras e rodeios. acredito no poder das palavras e no seu verdadeiro significado...descoberto entre planícies verdes e amarelas. e tu? profunda é a viagem se acreditarmos que podemos chegar lá e quanto mais fundo formos. sem mentiras, modéstias nem romances.

 

Check-in VS  Check-out?

in or out? in beirão-saloio.

 

Coração VS Cérebro?

lá vai ela! maria, gritas tu... e lá vai ela! despreocupada e destemida segue o seu rumo como manda o coração. sufrágio, grito! "vai...vai e depois choras!" mas a maria vai sempre e nunca olha para trás. sem pestanejar acredita e, só se dá por vencida quando chega...quando alcança. burra? pobrezinha da maria, pensas! não penses e permite-te sentir também.

 

Caneta Vs Lápis? 

num abrir e fechar de olhos diria caneta, “josé”! por ser eterno os seus traços desenhados, mas fazendo uma retrospectiva... penso lápis. sempre... lápis. pela sua história, pelos anos que foram precisos... e pela dor que se sente quando se escreve e desenha. linhas rugosas, não-perfeitas, gastas e fortes... contraste que só outrora... o mais puro diamante tinha para oferecer.


Obrigado, André.