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Des i - depois, em seguida

CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

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CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

Diogo Santos

"Não é o ritmo nem os passos que fazem a dança

Mas a paixão que vai na alma de quem dança."

                                                                                   Augusto Branco

 

 

Diogo é português, tem 21 anos e é formado em Dança Contemporânea pela Northern School of Contemporary Dance (Reino Unido), uma das mais reconhecidas escolas de dança da Europa, de onde saíram artista como Fleur Darkin, Tom Roden, Robert Hylton, entre outros.

A dança é um sonho de criança. O apoio dos progenitores, conhecendo as inúmeras dificuldades da profissão, não faltou e foi fundamental para se sentir seguro. Não ser capaz de atingir os seus objectivos é um dos seus maiores medos.

 

Participou em vários espectáculos de dança e apresentou as suas peças I Want Candy, How Far Can We Go e Fragmentos de um Ego de Porcelana. Em 2016 recebeu o prémio Creative Contribution Award e em 2018 o Creative Award

 

Áustria será o seu novo palco. Boa sorte, Diogo.

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 ©Ben Harris

 

Gratidão VS Conforto?

Eterna gratidão pelo apoio todo que venho a receber ao longo destes anos.

 

Medo VS Partir?

Medo de partir, medo do desconhecido. Tenho dificuldade em atirar-me para o futuro. Gosto de ter tudo controlado.

 

Sonho VS Música?

Sonhar é minha maior fonte de inspiração. É umas das coisas que espero que nunca acabe, cada vez tem sido mais difícil. Quanto mais cresço menos sonho. Gosto de viver o passado.

 

Afectivo VS Hedónico?

Afectivo. Demasiado afectivo.

 

Lugares VS Pessoas?

Pessoas. Preciso delas perto de mim seja onde for. Não gosto de estar muito tempo sozinho.

 

Dança Moderna VS Dança contemporânea?
Têm tantas diferenças como semelhanças mas ambas são bastante importantes nos meus processos de criação e no meu desenvolvimento enquanto artista. A minha formação vem um pouco dos dois lados, por isso, sou bastante influenciado pelas suas técnicas variadas.

 

Criar VS Recriar?
Gosto sempre de partilhar algo que para mim seja estimulante e diferente. É algo que vem de mim, eu prefiro criação porque tenho a necessidade de explorar algo novo.

 

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©Jack Butler Photography

 

Sensação VS Ver ?

Ver é algo mais externo, mais longínquo e frio. A sensação trás uma energia diferente, é um beneficio não só para o meu corpo mas também pela forma como ajuda o meu cérebro a trabalhar.

 

Amar VS Rir?

Fazer rir. Sou uma pessoa muito bem-humorada.

 

Ansiedade VS Calma?

Ansiedade, stress. Gosto de trabalhar sobre pressão.

 

Felicidade VS Acaso?

Acaso. Há qualquer coisa que me fascina na imprevisibilidade. Fez-me criar imensas memórias é entusiasmante.

 

Tolerância VS Preconceito?

Quando uma pessoa é tolerante também tem mais espaço para abrir novas portas. 

 

Sozinho VS Acompanhado?

Acompanhado mas o que move as minhas ambições é a ausência.

 

Ágil VS Efémero?

Todos os performers são efémeros, não é uma decisão que nós tomamos. Vivemos o momento tal como é, e moldamo-nos conforme é preciso. É difícil de trabalhar esta qualidade porque tem que se estar alerta a todos os detalhes e estar habituado à constante mudança. As coisas nunca são iguais e nunca serão como imaginamos.

 

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 ©Jack Butler Photography

 

'You are enough' VS 'You're doing the best you can' ?

You are always enough!! Por vezes é difícil de acreditar em mim próprio, mas ao mesmo tempo, acaba sempre por ser recompensador.

 

Abraços VS Redes Sociais?

Abraços, o carinho é algo que preciso perto de mim.

 

Coração VS Mente?

Mente. Sou apaixonado por seres que levam o pensamento ao extremo.

 

Às vezes VS Talvez?

Às vezes, tenho a segurança de que algo possa acontecer novamente.

 

Silêncio VS Saudade?

Por vezes a saudade leva ao silêncio. Tenho saudades de memórias que fui esquecendo.

Rua VS Palco?

Tanto olho para as ruas e para os palcos como espaços capazes de construir e partilhar mensagens. Escolho aquele que me abraçar primeiro.



Obrigado, Diogo. 

Maria Rita e Zé Pedro Botas

                                                                                                                            "A criança é o amor feito visível."
                                                                                                                                                                                                                                                          Novalis
 

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  ©Arquivo Pessoal

 

 

A Maria Rita e Zé Pedro são acarinhados por todos, cada um tem a sua forma genuína e de amor na fala, opinam sobre tudo, querem saber tudo. Considerados filhos do entretenimento, ou não fossem eles filhos de quem são... e lá em casa vive um dos melhores humoristas do país. 

                                                                                                                                 
Conta-me uma história, Zé Pedro.

 

-O flautista bateu à porta do presidente da Câmara.

O que se passa?

Temos muitos ratos.

O flautista disse: Eu trato disso.

Tocou flauta, os ratos foram atrás, até ao rio, e afundaram-se. Fim.

 

 

Maria Rita, queres falar sobre a mãe?


-Quero ter as mamas da mãe.

                                          

 

 

Vamos começar. Eu digo duas palavras, vocês escolhem uma e justificam. 

 

 

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 ©Arquivo Pessoal

Sonho VS Amor? 

Maria Rita - Amor. Assim temos mais amor.
Zé Pedro – Amor. Porque gosto da mamã fofa.

 

Cegonhas VS Bebés? 

Maria Rita – Bebés. Porque os bebés são mais divertidos.
Zé Pedro – Bebés. Porque são mais divertidos.


(Zé Pedro, copiar a mana é batota.)

 

Segredo Vs Silêncio? 

Maria Rita – Silêncio. Porque no silêncio podemos estar melhor.
Zé Pedro – Segredo. Porque são mais secretos.

 

Fadas VS Limpezas? 

Maria Rita  – Fadas. Porque são mais giras.

Zé Pedro  – Fadas. Porque fazem magia.

 

Janelas VS Portas? 

Maria Rita  – Janelas. Porque podemos ver pessoas.
Zé Pedro – Janelas. Porque podemos espreitar. E são só para espreitar. (irónico) 

 

Vaiana VS Toy Story?

Maria Rita  – Vaiana. Porque aprendemos coisas sobre a terra.
Zé Pedro – Toy Story. Porque são mais divertidos.

 

Egoísmo VS  Medo? 

Maria Rita - Medo. Porque medo não nos zangamos com as outras pessoas e partilhamos as coisas todas.
Zé Pedro – Medo. Porque nós estamos a dormir e acordamos e estamos com medo.

 

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  ©Arquivo Pessoal

Magia VS Verdade?

Maria Rita – Verdade. Nós temos de contar sempre a verdade...
Zé Pedro – Para respeitarmos as mães e os pais.

 

Dar VS Receber? 

Maria Rita – Dar. Nós damos uma coisa à outra pessoa e a outra pessoa não tem de nos dar.
Zé Pedro – Receber. Porque é mais fixe.

 

Preconceito VS Tolerância? 

Maria Rita –Somos todos iguais...
Zé Pedro – Somos todos diferentes. Há meninos que se portam mal.

 

Diário VS Abraços?

Maria Rita – Abraços. Sinto-me mais feliz quando me dão um abraço.
Zé Pedro– Abraços, porque são mais queridos.

 

Tempo VS Liberdade? 

Maria Rita –Liberdade. Liberdade é ir à rua e sair.
Zé Pedro – Liberdade é estarmos salvos.

 

Eu VS Os outros?

Maria Rita – Os outros. Esta é difícil, não sei.
Zé Pedro – Eu, porque gosto mais de mim.

 

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 ©Arquivo Pessoal

Terra VS Lua? 

Maria Rita – Terra. Porque temos mais vida.
Zé Pedro – Planeta Terra, porque nós estamos dentro do planeta Terra.

 

Politica VS Meditação? 

Maria Rita – Meditação. Assim nós podemos fazer o que nós quisermos. Não é o presidente que diz a nossa vida.
Zé Pedro – Política, porque o presidente da república é de portugal.

 

Amigos imaginários VS Homens não choram? 

Maria Rita – Amigos imaginários.
Zé Pedro – Amigos imaginários porque são mais divertidos.

 

Justiça VS Alterações climáticas? 

Maria Rita – Alterações climáticas. Não se deve deitar lixo para o chão.
Zé Pedro  – Alterações climáticas. Porque gosto mais do inverno. Verão é o quê?

 

Escola VS Natureza? 

Maria Rita – Natureza. Porque é mais bonita.
Zé Pedro – Natureza. Porque cai as folhas.

 

E.T. VS Mundial? 

Maria Rita  – Mundial. Porque nós não podemos ver os extraterrestres.
Zé Pedro – E.T.. Porque são mais fixes.

 

Inícios VS Finais?

Maria Rita – Finais. Porque acontecem coisas mais de alegria.
Zé Pedro – Finais. Para ver mais episódios.

 

 

Obrigado, Maria Rita e Zé Pedro. 

 

Lucas Lopes

O Desenhonário do Lucas foi uma feliz descoberta. Os minúsculos e sensíveis bonecos, com bochechas rosadas e pintas vermelhas, feitos de porcelana fria, ervas e retalhos de tecido, fizeram-me acreditar no verso da canção de António Gedeão, "o sonho comanda a vida".  


Lucas Lopes é mineiro formado em Artes Visuais. 

Trabalha como artista educador, orientando atelies, oficinas de Artes Plásticas e Fotografia no programa Fábricas de Cultura.  Em paralelo, desenvolve trabalhos de criação e direcção de arte: com o Colectivo Grão, dirigido por Cintia Alves, fez a direcção de arte do espectáculo FEIO voltado para o  público surdo e cego, SESC Vila Mariana (2016).

Foi  director de arte do projecto "Os minutos que se vão com o tempo" da Trupe Sinhá Zózima (2015/2016) contemplado pela 24ª edição da lei municipal de Fomento ao Teatro,  São Paulo. É um dos artistas do projecto Ninho Cantante que está em itinerância pelas unidades do Sesc no estado de São Paulo desde o início de 2017.

Em 2017 ilustrou as paredes da Biblioteca do Sesc de Ribeirão Preto, considerada uma das bibliotecas infantis mais incríveis do mundo.

Criou a arte do encarte da peça "Crianceiras" em temporada no Sesc Pompéia no primeiro semestre de 2018;  realizou também o projecto “O Desenho das coisas” com intervenções de desenho livre brincando com as possíveis relações entre imagem e palavra.

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   ©Arquivo Pessoal

 

Emprestado ao Nada' VS Morada? 

Emprestado ao Nada é o nome de um poema da amiga e escritora Andrea Lopes que em parceria transformamos em um pequeno livreto. E também é uma maneira nossa de lembrar que o descanso é importante, e de que o vazio é, também, alimento.

 

Sementes VS Amor? 

Faz 7 anos que uma amiga pela manhã, de nome Linda Luz, me disse que não havia dormido, ficou buscando pela noite qual era o sentido da vida e havia chegado a conclusão de que era o Amor. Talvez seja ele esse grande mistério, que faz brotar a semente, o coração bater, as certezas se derreterem...

 

Abraços VS Mar? 

Conheci o mar aos 18 anos, quando me aproximei percebi que ele respirava e dançava em ondas, estava vivo, foi um espanto.Percebi que a imensidão está (e sempre esteve) acordada, pronta para me ouvir e me ensinar, silenciosamente.

 

Segredos VS Saudade? 

Acho que dentro de mim os segredos são como chaves em que abro e fecho portas. Algumas portas, mesmo quando abertas, parecem estar fechadas, entro, e dali me acontece o incomunicável.

 

Desenhos VS Aquarelas? 

Tudo é desenho, o nosso trajeto pelo mundo, os encontros. Bia Machado, minha professora, me apresentou uma metáfora que gosto muito da “trama e a urdidura”; uma mesma urdidura em que cada ser vai criando a sua trama, o desenho do seu tapete, cada peça tecida de forma única.

 

Janelas VS Portas? 

Eu gosto da generosidade das janelas.

 

Sonhos VS Voar? 

Quando eu era criança sempre ficava me questionando qual superpoder eu gostaria de ter: ficar invisível ou voar, até que numa tarde de domingo a cidade estava quieta e o céu ficou cinza, ia chover e começou a ventar muito, fui para o meio da rua e abri os braços, senti o vento muito forte e imaginei que aquilo deveria ser a sensação de voar, então decidi que esse seria o meu superpoder.  

 

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   ©Arquivo Pessoal

 

Chuva VS Sol?

O Sol, maestro do tempo. Desse tempo que também pulsa em nós, para além dos relógios, calendários. Que pinta o verde nas folhas e a aurora no céu, é curioso pensar que talvez existam cores que ele pode criar e que ainda não conheci.

 

Silêncio VS Música? 

O silêncio, pode ser uma ferramenta divina ou uma arma violenta. Espero que um dia possamos aprender a usá-lo corretamente.

 

Folhas VS Cordão? 

Se o sol está forte e deitamos embaixo de uma árvore, podemos contemplar a renda que se forma com as folhas e o céu, pode ser que nasça nesse momento uma oração.

 

Histórias Inventadas VS Histórias Vividas?

É um desafio guardar as histórias, não esquecer, lembrar de si. Esse é um trabalho que tem me interessado muito.

 

Raízes VS Liberdade? 

Esse ano fui para o nordeste do Brasil em uma região de dunas no Ceará, quando me vi cercado por areia comecei a correr disparado por elas, naquele momento não havia destino ou causa, acho que isso é liberdade, e acho que sempre que minha única razão para fazer algo é apenas uma necessidade interna, e faço, sei que ali eu sou livre.  

 

Coração VS Palavras? 

Uma noite sonhei que havia escrito um poema e liguei para que a Matilde Campilho recitasse o poema que fiz para que eu pudesse ouvir. Lembro que o poema falava algo sobre a aprendizagem, que para conhecer não devemos circundar a periferia das coisas, mas ir até o centro, subir no topo, do coração, e de lá ter a visão do todo.

 

Escadas VS Lágrimas? 

As escadas sempre estiveram presentes no meu imaginário poético, me encanta essa ideia do acesso que elas promovem, os caminhos verticais, suas simbologias.

 

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  ©Arquivo Pessoal

 

Infância VS Hoje? 

Muitas pessoas que conhecem o meu trabalho já me disseram em algum momento que deveria ilustrar mais livros para crianças. Lembro também de uma feira que participei, em que uma artista que conhecia apenas o meu trabalho ficou espantada pois não imaginava que era um homem o criador das ilustrações. Acho que ela considerava o meu trabalho delicado demais para ser feito por um homem. Então acredito que a infância e o feminino (presente em todos nós) foram potências afastadas e até mesmo negadas dessa ideia que temos do homem contemporâneo. Hoje sei que existe uma certa transgressão, embora muito sútil, em trazer essa poética sendo homem.

 

'Caminhos de Dentro' VS 'O Desenho das Coisas'?

Talvez os caminhos de dentro se unifiquem com o passar do tempo em um só: a viagem para terra natal.

 

Cores VS Solidão? 

Tenho um certo apreço pelos momentos solitários, neles acontecem muitos outros encontros, nesse sentido não sei se a solidão realmente existe para mim.

 

Medos VS Poesia? 

A poesia é um jeito.

 

Labirinto VS Gratidão? 

Nossa comunicação é um grande labirinto. Uma vez fui a um parque, em que tinha um labirinto, fiquei muito tempo lá sem conseguir encontrar a saída, os funcionários vieram me ajudar, percebi que se meu olhar fosse mais amplo para o caminho, talvez eu pudesse ter encontrado a saída sozinho. Penso que isso às vezes acontece com nossa comunicação, quando escutamos o outro preso em detalhes ou sem uma atenção, que possa ultrapassar as palavras, também ficamos perdidos e sem saídas para acessá-lo.

 

Arte VS Artista? 

Acredito na Arte como uma possibilidade de atravessar esses labirintos que criamos entre nós e os outros, entre nós e o mundo.

 

Obrigado, Lucas. 

Tiago Ramos

O Tiago tem uma visão muito certa do mundo do cinema, não fosse ele responsável por uma página de Facebook - com quase 10 000 seguidores -, dedicada à 7.ª arte, Split Screen (com o respectivo blog registado no IGAC).  É o cinéfilo dos amigos. 


É director da empresa de comunicação 'Divergente - People & Brands', uma empresa jovem, irreverente, única, que investe na formação profissional e pessoal, que através do desafio constante e da prossecução dos seus objetivos cria valor para si e para outros.

 

Nenhuma arte simula a vida como o cinema. Todavia, não é uma vida. Também não é propriamente uma arte. Porque é uma acumulação, uma síntese de todas as artes. O cinema não existia sem a pintura, sem a literatura, sem a dança, sem a música, sem o som, sem a imagem, tudo isto é um conjunto de todas as artes, de todas sem exceção.
                                                                                                                                                                                    Manoel Oliveira (cineasta português)


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 ©Arquivo Pessoal

 

Márcia Sousa

Márcia tem 27 anos e é uma activista de renome dos direitos LGBTI (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersexuais). No início do ano, mudou-se para Loulé  para promover as questões LGBTI nas escolas, experiência ganha na Rede Ex aequo. Actualmente faz parte do colectivo Somos Blergh

 

 

A Márcia foi dos melhores presentes que a Rede Ex aequo me poderia ter dado. Adoro a sua cena e energia. É pena que já me fugiu para o sul mas fica a esperança de a ver por aí nas nossas lutas comuns!
 

Paulo von Handsuntrancis (Vice Presidente da Rede Ex aequo)


A Márcia é daquelas pessoas a quem ninguém consegue ficar indiferente. A forma como consegue envolver toda a gente que por ela passa, é algo que não está ao acesso de todas as pessoas. Muito provavelmente porque tudo o que faz é movido por uma grande necessidade de dar ao outro, de cuidar, de ser aquela mão amiga, aquele abraço quentinho, aquele ombro para chorar. Por mais pequeno que seja o desafio que lhe passe pela frente, a Márcia vai dar sempre o melhor de si, deixando todos os lugares por onde passa um bocadinho melhores. Obrigada por tudo o que dás ao mundo, minha sementinha de paz, neste grande caos que é o mundo.

Mia de Seixas


tens tempo para te contar uma história? certo dia cruzei-me com uma rapariga de olhar sincero e cheia de força na voz... confesso-te que não fiquei indiferente à sua imagem e postura. fiquei marcado pela sua forma de olhar e compreender o mundo. passámos um longo período da tarde a conversar sob a escuta atenta de um gravador e de meia dúzia de questões escritas em papel. durante a entrevista essa rapariga foi me revelando a sua profundidade e entre vai-tira-põe questão e resposta os nossos papéis ficaram trocados. a tarde passou por nós à semelhança de um curso de água e sempre com jazz como música de fundo... numa primeira instância formal soube que era madeirense e que tinha uma vontade maior que o seu sonho. fomos felizes. não muito tempo depois tive a oportunidade de chamar aquela moça de Márcia... Márcia Sousa, sem rótulos e sem uma equipa por trás. tivemos oportunidade de conversar durante mais um bom par de horas no mesmo local onde nos cruzámos e foi aqui que nos conhecemos verdadeiramente. escutei. escutei. a sua determinação é para mim a sua latente vitória e num ápice conheci-a com uma intensidade de arrepiar. não lhe consegui ficar indiferente. como é possível ser-se tão grande? hoje a Márcia é muito mais que uma amiga é o prefixo da igualdade é o sinónimo de liberdade e amor.

André Mariano

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©Rita Campos

 

Medo VS Saudade?
Saudade. Medos todos nós temos, mas gosto de sentir saudades sabes. Porque faz-me dar mais valor ao que sinto, pelas pessoas que gosto e porque significa que me são importantes.
 
Raízes VS Liberdade?
Liberdade. Adoro a sensação de ser livre, de poder e fazer as coisas como quero. 
 
Tolerância VS Preconceito?
Tolerância. Acho que é algo que temos que ser por vezes, tolerantes, nem tudo pode ser do nosso jeitinho. 
 
Herdar VS Criar? 
Criar. Tudo é tão mais especial quando és tu a criar. Eu adoro fazer do zero, de sentir que fiz parte de algo, que parte de mim está ali. 
 
Coração VS Cérebro?
Coração. Não consigo agir sem ser “pensado” pelo coração, o que por vezes não corre bem, mas faz parte da vida, do nosso percurso.
 
Chorar VS Abraçar?
Abraçar. Amo esse gesto, acho que é algo tão lindo, é a melhor forma de mostrar a alguém que gostamos dela, de nos ligarmos e de criar laços, de demonstrarmos o nosso apoio.
 
Tu VS Outros?
Outros. Eu não consigo ser eu, sem os outros. Sempre que penso fazer algo é pensando no outro primeiro. 
 

 

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©Margarida Góis
 
Sonho VS Realidade?
Realidade. Embora que sonhe um pouco. Mas gosto de ter os pés na terra. Gosto de ter a consciência do que é real ou não.
 
Máscara VS Fuga?
Máscara. Uso quando estou mais ou menos, porque não gosto de preocupar os que amam. Tenho a mania que aguento tudo sozinha, por isso - por vezes - coloco essa máscara. 
 
Perguntas VS Respostas? 
Perguntas. Vou sempre à procura das respostas as minhas perguntas, não gosto muito de ficar sem saber as coisas.
 
Semente VS Terra? 
Semente. É tão bom quando deixamos a nossa sementinha, quando algo cresce, porque fomos nós a plantar e a cuidar. 
 
Tempo VS Partilha?
Partilha. Sinto-me muito mais preenchida quando partilho, quando estou rodeada dessa partilha.
 
Timidez VS Extroversão?
Extroversão. É a melhor forma de comunicar, adoro brincar e comunicar com as pessoas. De me sentir próxima das pessoas, de criar ligações. 
 

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©Clara Carvalho

 

Cores VS Caminho? 
Caminho. Porque é a forma de saber que tenho muito a fazer e a percorrer.
 
Amor VS Autocaravana? 
Amor. Acho que não devemos ter medo de dizer o que sentimos e de o demonstrar. Amar é tão bom, é tão lindo. Não tenham vergonha de dizer que gostam de alguém.
 
Desistir VS Nem Pensar? 
Nem pensar. Há sempre uma forma de fazer as coisas, só precisamos de ter paciência para tentar perceber qual é. Mas desistir não é fraqueza é sabedoria. 
 
Educativo VS Arrumação? 
Educativo. Faz parte do nosso percurso, o saber nunca é demais. 
 
Ponto de luz VS Memórias?
Memórias. Faz-nos relembrar quem somos. Gosto de voltar atrás de vez em quando e puxar pelas minhas memórias. Ver e sentir que tudo vale a pena.
 
Slow living VS  You're doing the best you can?
You´re doing the best you can. Tudo o que faço tento dar o melhor. Senão, nem vale a pena fazer, se for para fazer mal.
 
Disto VS Daquilo? 
Disto. Porque é disto que vivo, de ser eu mesma.
 
Obrigado, Márcia.
 

 

Frederico Pompeu

Frederico é coimbrense,  designer e ilustrador. Gosta de cães e de gatos, de caril e de rodas gigantes.

Licenciado e mestre em Design.  Concluiu o primeiro ano do doutoramento em Estudos Culturais, onde estudou o papel dos livros na cultura online.  Para além do seu trabalho como designer tem vindo a fazer ilustrações para livros, jornais e outras publicações (ou então para projectos pessoais). 

 

"Working as a designer, illustration is an opportunity to try things on the go, without worrying too much about the end result. Because of this, I see it as a process of discovery, not only of my style and expression but of myself as well. I keep working in the hope of one day looking back and say oh, so this is what I'm about".

 

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©Pedro Ivan Serralva (PicsofYou)

 

 

Estilo VS Expressão? 
Expressão. Espontaneidade. Novidade. Descoberta.
 
Rostos VS Flores? 
Rostos. Com coroas de flores.
 
Ilustração VS Descoberta? 
Descoberta. Olho para o meu trabalho de ilustração como um inventário das minhas referências, preocupações e estados de espírito. No fundo são peças soltas que foram criadas em associação livre.
 
Livros VS Esperança? 
Livros. A esperança é ingrata. É melhor agir do que esperar.
 
Encomenda VS Imaginação? 
Imaginação. Mesmo que seja para responder à encomenda.
 
Família VS Tempo? 
Tempo. Para a família e para tudo.
 
'De dentro para fora' VS Herdar?
De dentro para fora, como auto-descoberta. O ilustrador dá corpo e sentido às ideias que lhe são emprestadas, mas sempre a partir do seu ponto de vista.
 
Amor VS Autocaravana?
 <3 Amor <3
 
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©Pedro Ivan Serralva 
 
Disto VS Daquilo? 
Daquilo. O que é? Posso ver?
 
Sem cor VS Com cor?
Com cor. Sem medo.
 
Papel VS Computador? 
Computador. É uma tecnologia. Tal como o papel, o óleo ou a caneta.CC
 
Tato VS Visão? 
Tato. Talvez por isso trabalhe tanto com texturas.
 
'You are enough' VS  'You're doing the best you can' ?
You are enough – as expectativas é que são demasiado altas.
 
Arte VS Artista? 
Arte. Existem artistas de índole questionável mas com obras incríveis. Não culpo os filhos pelos erros dos pais.
 

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 ©Pedro Ivan Serralva 

 
 
Ruído VS Silêncio? 
Ruído. O silêncio é demasiado inquietante.
 
Paredes VS Corações? 
Corações.
 
Abraços VS Rede Sociais? 
Abraços. Mas não demonizo as redes sociais. São plataformas que expõem as nossas fragilidades e inseguranças a uma escala global, mas duvido que sejam a única causa delas.
 
Inícios VS Finais?
Inícios. Acabar o que quer que seja é sempre tão difícil…
 
Raízes VS Liberdade?
Liberdade. As árvores têm raízes, nós temos passado. Só estamos presos se quisermos.
 
Retrospectiva VS Futuro?
Futuro.
 
 
 
Obrigado, Pompeu.