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Depois em Seguida

CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

#RAPAZESMALDESENHADOS 1 | Não Tenho Vergonha Da Diabetes

O mundo é visto sempre através de histórias. 
A realidade entre duas perspectivas, uma de ligeireza ondulante e uma outra de peso. A realidade acontece dentro e fora de nós, todos temos duas escolhas possíveis: o problema é compreender qual é a escolha que nos faz sentir bem e evitar aquela que nos faz sentir mal. A boa notícia é ter sempre no pensamento a frase: «Transforma o modo como olhas as coisas e as coisas que vês irão mudar».

O TEMA Diabetes tipo 1

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O TESTEMUNHO 
Nicolás Fabian 24 anos, designer gráfico e multimedia freelancer


Aos 12 anos dormia.

            Sentia que crescer cansava e deixava uma pessoa exausta. Talvez fosse a minha cabeça a dar muitas voltas e ter demasiadas ideias criativas como costumava acontecer desde então.

            Mas, certo dia, estranhei ter dormido um dia inteiro. Pedi à minha mãe no dia seguinte para ir ao hospital ver o que se passava comigo. Sem demora foi logo diagnosticado diabetes tipo 1. Não imaginava o que iria acontecer, pensava que seria apenas umas longas horas no hospital e podia regressar ao meu pequeno mundo. Fiquei uma semana inteira internado, não sabia por onde me orientar e como a minha vida iria ser daí em diante. Algo me deixava mais feliz: não ir à escola. Não por ser um aluno que odiava estudar mas para evitar o bullying que sofria na altura.

            Passava pela minha cabeça como poderia contar aos meus pais que para além de diabético era homossexual, nessa minha cabeça de pré-adolescente dizer o que era sem qualquer represália era raro, habituado a que me apontassem o dedo na escola.

            Passaram anos com a doença e aos meus 16 anos conto aos meus pais que sou gay, conto depois de ter passado três anos de bullying na escola e de notar que ser gay não é nada negativo, é apenas ser quem sou sem qualquer máscara. Risos por parte da minha mãe a me ver chorar, por sentir uma pressão social exterior, algo que não tinha em casa; a minha irmã apenas curiosa, mas feliz e um pai que o importante era apenas a minha felicidade e bem estar. Sorte!

Não me posso queixar do meu seio familiar e de todo o apoio e ajuda que tive, tanto na aceitação de quem sou como também da minha profissão e conquista dos meus sonhos, nunca existiram barreiras em casa. Estranho! Posso dizer, num meio tão pequeno como Anadia, parecia que vivia em dois mundos, ora num mundo livre (em casa) ou num mundo opressor (escola/rua).

            A rua era de facto um terror para mim, não só na escola gozavam comigo como também na rua, onde pessoas com uma forma/maneira de pensar e ver a vida murmuravam e até mesmo se riam na minha cara.

            Olhava ao espelho e sempre questionava o porquê dos risos e porque tantos comentários quando na realidade era um rapaz normal/básico, com ligeiros problemas de auto-estima. O encontro entre a doença e a homossexualidade ocorreu quando fico dependente de uma máquina de insulina, onde, diariamente tenho um penso na minha barriga (um cateter). Por momentos tinha vergonha de mostrar o meu corpo, sentia que era feio ou com alguma anomalia. Sempre que tirava a t-shirt tinha questões como: O QUE É ISSO? Ou até mesmo WOW, NUNCA VI! COMO FUNCIONA?

            As pessoas são curiosas por natureza e essas questões eram inevitáveis, sempre levei na desportiva, mas quando estava sozinho pensava porque tinha que ter isso ligado a mim.

            Agora tenho 24 anos, não tenho vergonha do meu cateter e muito menos da minha homossexualidade, marcho por ambas as situações que tanto me orgulho. Sim, orgulho porque sem a minha doença e sem ser quem sou não teria conquistado, não tinha conseguido vencer certos os obstáculos que me tornaram forte, e a acreditar que com vontade e com sonhos tudo na vida é possível!


A CAUSA 

A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (#APDP) lançou uma petição ( Quantos somos com diabetes Tipo 1? ) para levar o Ministério da Saúde a criar um registo nacional de diabetes tipo 1.

Para o presidente da associação, José Manuel Boavida, "um registo nacional actualizado que permita a aquisição de mais e melhor conhecimento científico sobre a real dimensão da diabetes, permite pensamento crítico para uma melhor definição das políticas de saúde relacionadas com a doença e para o enquadramento de novas perspectivas terapêuticas a nível imunológico e tecnológico".

 

A CIÊNCIA Dra Ana Luísa Leite  Pediatra, Colaboradora na Unidade de Endocrinologia e Diabetologia Pediátrica do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/ Espinho. 

 

DES: O que está por detrás da diabetes tipo 1?

Dra Ana Luísa Leite: A diabetes mellitus tipo 1 é uma doença maioritariamente autoimune, ainda de causa de desconhecida. Isto é, o organismo a dado momento começa a criar anticorpos que vão destruir as células beta pancreáticas, que são as responsáveis pela produção de insulina. A causa para esta produção anormal de anticorpos ainda não está identificada, daí ainda não existir uma forma eficaz de travar o processo e assim "curar" a doença ou melhor, evitar a sua instalação. 

 

DES: Como se manifesta a doença?

Dra Ana Luísa Leite: Os sintomas vão se instalando gradualmente e vão aumentando a sua gravidade. O mais comum na fase inicial é a sede, uma sede desmesurada que faz com que se beba água a toda a hora e meio da noite. Surge nesta fase também a poliúria, ou seja a urina excessiva, que faz com que muitas crianças voltem a molhar a cama de noite (quando a maioria já não o fazia há anos). Outro sintoma muito comum é o emagrecimento, súbito e geralmente significativo. O emagrecimento é tão mais acentuado à medida que o tempo passa. Por fim instala-se o cansaço, o mal-estar/náuseas, vómitos e muitas vezes a alteração de comportamento, que em última instância pode conduzir ao coma.

 

DES: Não há uma idade para o aparecimento da diabetes tipo 1?

Dra Ana Luísa Leite: A DM1 é uma doença que tipicamente atinge a criança e o adulto jovem, embora os extremos etários tenham aumentado a sua incidência, nomeadamente o número de crianças com menos de 5 anos com dM1 tem aumentado exponencialmente nas últimas décadas.

 

DES: Quais sãos os procedimentos após o diagnóstico?    

Dra Ana Luísa Leite: Após o diagnóstico é necessário a estabilização clínica com tratamento com soros e insulina dado o estado de desidratação inicial. Depois é necessário iniciar o ensino do doente e da família em como se avalia a glicemia capilar (o açúcar no sangue), como se interpretam os resultados e a dose e forma de administrar a insulina. Também se ensina o doente a "contar hidratos de carbono", ou seja a avaliar o impacto que cada alimento vai ter na sua glicemia e ensina-se a actuar nas situações de hipo ou hiperglicemia, para serem capazes de voltar à sua vida quotidiana. 

 

DES: Quais as mudanças, no dia a dia, mais notórias  para o diabético? 

Dra Ana Luísa Leite: A necessidade de planificar as refeições é fundamental, assim como a avaliar a sua glicemia antes de todas as refeições e administrar sempre insulina antes de comer. Só com uma vigilância intensiva se consegue um ótimo controlo glicémico.

 

DES: É mais fácil para o doente quando a diabetes é diagnosticada na infância?

Dra Ana Luísa Leite: Quando o diagnóstico é na infância a família assume o papel de cuidador e geralmente as crianças deixam-se orientar. Logo, o "peso" do diagnóstico passa muito para os pais e a criança habitua-se mais facilmente às novas rotinas. No entanto, ao chegar à adolescência a situação torna-se mais problemática, porque o doente começa a fase de revolta, quer ser igual aos pares e muitas vezes torna-se negligente no tratamento. Não há idades fáceis para o diagnóstico de uma doença que vai implicar tantas adaptações no dia-a-dia, mas a forma como é encarada pelos cuidadores e amigos influencia em grande parte a aceitação.

 

DES: Não há como prevenir a doença?

Dra Ana Luísa Leite: Não. Como não se sabe a causa ainda não se consegue fazer uma prevenção. Apenas podemos estar atentos aos sintomas e conseguir fazer um diagnóstico mais atempado. 

 
 
 

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Nota

#rapazesmaldesenhados é a nova rubrica do blogue. 

Caroline Rocha

Por Amaro Figueiredo

A Caroline Rocha é luso-francesa e criadora de filtros para o Instagram e para o Facebook. São mais de 56 mil criadores de filtros no mundo inteiro. Transforma o mal e o sofrimento em algo bonito e alegre. Autodidata, gosta de fotografia, da família, de cantar e é cinéfila ferrenha: no fundo é amor.

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©CR

DES: Diz-me duas vantagens e uma desvantagem dos filtros que usamos nas redes sociais? 

Caroline R.: Uma das vantagens é poder interagir com algo inexistente no mundo real, em tempo real e sem sair de casa. Poder experimentar uma roupa, ver-se num mundo de fantasia, vestir uma peça de joalharia excêntrica, enfim (pausa) as opções são infinitas. Psicologicamente o filtro joga muito sobre a necessidade de apropriação e de controlo. E pela minha experiência e de outros, tenho vindo a reparar que dá um sentimento de confiança e de estabilidade. A face oculta da realidade aumentada nos filtros está relacionada com a beleza e com a imagem. Milhares de filtros são criados para esse efeito. Ter uma pele perfeita, uns lábios maiores.  Criou um monstro, pois a tendência de uso desse tipo de filtro é extremamente «addictive» e os usuários acabam por convencer-se que são a imagem refletida no seu telemóvel. O resultado é que a interação social evita-se, pois a verdade não quer ser revelada. A tendência «barbie face» está a embutir insegurança nos jovens! Mas posso dizer que o Facebook tem proibido os filtros com deformação a efeitos cirurgia plástica para ir contra a tendência, o que eu acho notório.

 

DES: Como percebeste que querias estar ligada à criação digital?

Caroline R.: Vou ser sincera, nunca estive ligada ao mundo digital. Fui submersa pelo mundo digital devido à minha saúde. Percebi que queria estar ligada quando os meus seguidores Instagram contavam-me as suas próprias historias. Miúdos que sofriam de depressão, de bullying, de todo o tipo de opressão psicológica, e outros sendo incapazes de sair das suas próprias camas por estarem paralisados. São esses miúdos que me dizem «obrigada por iluminar o meu dia». Sinto uma grande responsabilidade para com esses miúdos e devo-lhes essa atenção. Daí ter decidido avançar e passar mensagens de amor através do meu trabalho. 

 

DES: Onde tens as melhores ideias?

Caroline R.: As melhores ideias vêm das pessoas que me tocam e do ridículo que a sociedade quer impor. Tento tornar o mal e o sofrimento em algo bonito e alegre.

 

DES: Preferes a ideia ou a concretização?

Caroline R.: Prefiro a concretização, exige mais de nós, exige dar de si. A ideia chega, muda e pode desaparecer, nunca deixa ser igual. A concretização fica.

 

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©CR

DES: Como vês o futuro das redes sociais?

Caroline R.: O futuro das redes sociais... será sempre um óptimo meio de comunicação e uma óptima plataforma para a promoção. Eu sendo uma filha dos anos 80, tive a sorte de viver numa época onde as pessoas se esforçavam para tudo. Para estarem juntas, para mostrarem-se tal como são (pausa) o que se chama «viver». O viver de hoje reduz-se a fotos postas em redes sociais que relatam um momento efémero.

 

DES: Tens o sonho de te lançares em novos projectos?

Caroline R.: Tenho alguns projectos, a maioria relacionada com a realidade aumentada. Quero trazer todas as artes às pessoas, que possam interagir e não ficar só a olhar. Usar essa tecnologia para poder promover artistas. E se houver interação com o trabalho do artista mais aproximação haverá. E digo isso porque os artistas são vistos como «inacessíveis». E quem não quer identificar-se com o artista? Procuramos sempre o porquê. «O que será que estava a pensar quando decidiu pintar esse quadro? », «o que lhe terá acontecido depois de ter tirado essa foto?» Podemos responder a muitas perguntas dessas com a realidade aumentada, é só interagir.

 

DES: O que gostavas de fazer que ainda não tiveste oportunidade de concretizar? 

Caroline R.: Sempre fui muito ambiciosa (pausa) confesso que já fiz tudo o que queria fazer. Atingi todos os meus objectivos.Hoje quero dedicar-me aos que me rodeiam, dar o que eu ganhei, dar esperança, dar vida, dar amor. Num mundo onde todos se fecham, quero quebrar barreiras e abraçar.

 

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©CR

 

DES: Há alguma coisa de que te arrependas muito?

Caroline R.: Arrependo-me de ter deixado o meu país, França. Deixei lá tudo. Os meus amigos, uma carreira promissora. (pausa) Mas essas amizades mantêm-se e a carreira não é tudo.Tenho cá a minha família, as minhas pessoas e não me posso queixar do meu actual trabalho.Tento sempre ver o bem quando tudo se torna difícil...

 

DES: O esquecimento é o maior descuido humano? Há falta da verdade?

Caroline R.: Se o cérebro necessita apagar informações relevantes para conseguir concentrar-se em coisas realmente relevantes então que seja! Há falta de verdade sim. O medo tomou conta de tudo. Estamos a viver numa era sensível, onde se tem que ter cuidado com as palavras, na postura, no ser. De asas cortadas avançamos nesse corredor escuro que nos anula.

 

DES: Como ocupas os teus tempos livres?

Caroline R.: Ocupo o meu tempo livre com a minha família, com os que amo. Ou quando não é o caso, crio conteúdo, vídeos, fotografia, canto.Também sou cinéfila ferrenha.  

 

DES: Vamos fazer um jogo. Eu digo uma palavra e tu dizes o que vier à memória. Amor…

Caroline R.: Vida.

 

DES: Saudade...

Caroline R.: Procura

 

DES: Pele...

Caroline R.: Necessidade.

 

DES: Sociedade...

Caroline R.: Molde.

 

DES: Medo...

Caroline R.: Humano.

 

DES: Joker...

Caroline R.: Opressão.

TOTIUS, Exposição de Pedro César Teles

Agenda 

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Um olhar sobre as partes sustenta a decifração de algo maior. Na diversidade das linhas e no contraste das tonalidades que compõem a história, remata-se a intenção, o fundamento, sempre em constante renovação. E, com toda a naturalidade, das raízes nascerá o epílogo. TOTIUS!


20 de Fevereiro às 18:00H  até 1 de Março e 2020  

CNAP Galeria e Arte 
Rua Professor Francisco Gentil, Nº 8 Loja D
Lisboa

 

Biografia 

Pedro César Teles nasceu em 1974.
As suas obras integram diversas coleções privadas e institucionais.

Nuno Roseta da Cunha & André Sousa

Por Amaro Figueiredo



Vamos falar de amor, mas atenção: sem preconceitos à sua volta.

É uma história de amor.

Vamos começar pelo início da história de amor do Nuno Roseta da Cunha e do André Sousa: a fotografia (capa). Passaram quase 10 anos. Vamos falar de intolerância e tolerância. Vamos falar de como tudo depende de nós, como olhamos as coisas. 

Neste meio caminho, de ida e de volta, cabe-lhes sempre na bagagem: o outro.

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DES: O que é o amor? O que significa para vocês?

Nuno: Amor é a sensação mais especial que existe. Não somente amor pela "cara-metade", mas também, e embora de forma diferente, pela Mãe, pelo Pai, acima de tudo por um filho e até por um amigo. Especificamente o amor pela nossa alma gémea é o ex libris do prazer, do carinho, da partilha, da companhia e do companheirismo, é o querer viver e acompanhar a vida de outra pessoa, junto a nós e ainda que possamos ter interesses distintos e gostarmos de fazer coisas sozinhos ou pelo menos sem o outro, e o de querer partilhar as mesmas. Para mim amor é aquilo que nos faz decidir lutar para melhorar!


André: Algo que me tenho apercebido que é mutante e evolui para diferentes estádios com o tempo. Noto que o sentimento tem algo de comum ao longo dos anos, um sentido de pertença, de lugar confortável, de quentinho, mas que se demonstra e sente de diferentes formas conforme evolui – necessariamente mais intenso e exacerbado de início, dando lugar a um sentimento mais sólido, robusto e familiar com o tempo. Na minha opinião, amar é cuidar.

 

DES: Há 9 anos que estão a construir uma história. Como é que se conheceram?

Nuno & André: Conhecemos-nos por acaso numa das pistas de dança da Discoteca Trumps. Começámos a olhar um para o outro e após um empurrão simulado, o André abordou o Nuno e começámos a conversar. Após primeira interação e após o Nuno ter informado o que considerava poderem ser possíveis turn-offs – 10 anos de diferença de idade, o facto do Nuno ter um filho e na altura estar ainda a aguardar conclusão do processo de divórcio), conversámos durante horas e trocámos contactos. Na semana seguinte passámos dias de intenso contacto até que o André convidou o Nuno para ir a um jantar em casa de uns amigos. Nessa noite não nos largámos, conversámos, trocámos o primeiro beijo, voltámos a ir dançar e desde então que estamos juntos, há mais de 9 anos.

 

DES: Vocês prestam muita atenção aos detalhes um do outro?  Porquê?

Nuno: Penso que o André é mais atento e perspicaz do que eu, mas certamente que sim. Fazemo-lo por amor, por interesse, curiosidade e preocupação pelo outro, bem como pela necessidade de pertença.

André: Inevitavelmente começamos a conhecer o outro de uma forma muito particular e íntima, sendo que são exatamente esses detalhes que definem a intensidade e profundidade com que conhecemos alguém, por isso, sim.

 

DES: Nuno como é o André?

Nuno: Um Homem extremamente inteligente, dedicado, focado e perseverante. Carinhoso e também muito necessitado de carinho, preocupado com o "nós" e em melhorar o que houver a corrigir. Generoso, atencioso com o próximo merecedor, embora demasiado exigente com o próximo não merecedor. Alma e coração inquietos em constante procura de paz e equilíbrio.

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©NRC

 

DES: André como é o Nuno?

 André: Um Homem carinhoso, que não tem medo de dizer que ama, reconciliador, calmo, importado com reconhecimento externo e valorização.

 

DES: As pessoas conseguem dizer coisas horríveis. Já sofreram preconceito ou presenciaram alguma discriminação contra a população LGBT? Qual foi a vossa sensação?

Nuno: Ao longo de toda a vida senti algum preconceito, sempre que mudava de turma, de grupo, de equipa de trabalho. Serenava e acabava sempre por ser aceite. Em contexto profissional já senti pressão, desconsideração e comentários jocosos por parte de um superior numa empresa na qual trabalhei. Em 22 anos de trabalho foi somente esse o exemplo mais negativo. Penso que não me posso queixar e que, ainda que o preconceito possa ter sido sentido ao longo do tempo, estou certo que tenho sido afortunado neste âmbito, sentindo-me respeitado e aceite. A sensação de não pertença e de julgamento externo é horrível. 

André: Senti preconceito enquanto adolescente mas nunca me importei. Há algum tempo, uma colega referiu alguns factos incorretos e preconceituosos relativamente à questão das casas de banho nos colégios e isso incomodou-me muito, pelo que me afastei dela.

 

DES: E em relação às vossas famílias?

Nuno:  Em contexto familiar senti sempre uma perplexidade por alguma manifestação da minha parte menos masculinizada e senti constante investimento em "tornar-me Homem", principalmente pelo meu Pai. A percepção de nunca conseguir satisfazer aquilo que era esperado de mim é angustiante e ao longo do processo de crescimento fez-me sempre fugir da realidade da minha orientação sexual. Ao mesmo tempo, embora sempre tenha sentido desejo sexual por Homens, fui-me apaixonando por várias grandes amigas, tive algumas namoradas, sempre quis ser Pai e quando pedi a Mãe do meu filho em casamento pensei mesmo que seria para todo o sempre. Entretanto o casamento morreu – não por eu ser gay mas talvez tenha ajudado – e só após cedo ao que sempre fugi e experimentei... resolvido. Isto foi há 10 anos e estou com o André há 9. Toda a minha família sabe, conhece e aceita-nos em pleno. Os meus pais conhecem bem o André, mas como são já bastante idosos não sabiam ainda em pleno da nossa realidade. Estou precisamente nesta fase, em processo de coming out para com os meus pais. Com a minha Mãe já conversei e foi naturalmente uma confirmação quer das dúvidas que ela tinha, quer do amor que sente pelo filho, independentemente da sua orientação sexual, só quer que eu seja feliz. Ao meu Pai estou ainda no processo mas, embora hajam receios, estou esperançado que a reação seja semelhante, já que não quero manter uma omissão que me custa a mim e a todos os que nos rodeiam. Para além destes, a aceitação familiar é plena, com especial enfoque para o meu filho que me e nos aceita.

André: A minha relação com os meus pais, especialmente a minha Mãe, sempre foi um pouco complicada nesse aspeto. Somos muito próximos e durante a adolescência foi difícil. Quando saí de casa para viver com o Nuno, creio que ela sentiu que ou tentava aceitar como podia ou não iria fazer parte da minha/nossa vida, pelo que muito mudou. Mas sinto que ainda há temas que para ela são tabu. O meu Pai está super tranquilo.

 

DES: Houve assim alguma situação em que tenham tido de responder mal a alguém porque essa pessoa passou das marcas?

Nuno: Se houve não me recordo.

André: Não, eu afasto as pessoas da minha vida quando chega a esse ponto.

 

DES: Acham que a comunidade gay, hoje, sente-se mais segura e confiante? Ou não é bem assim?

Nuno: Estou certo que a comunidade está no bom caminho mas, indubitavelmente, com muito ainda por conseguir.

André: Não estou envolvido, pelo que não tenho forte opinião. Sinto que dentro da comunidade há muito esforço por haver aceitação, mas também há muito preconceito, sendo que ainda é pior e mais hipócrita quando observado dessa forma.

 

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©NRC

DES: Houve alguma coisa de que se tenham arrependido de mudar?

Nuno: Não

André: Não

 

DES: Qual é a canção preferida de ambos? E o filme.

Nuno & André: Michael Bublé: You’re nobody ‘till somebody loves you. Filme que possamos indicar neste registo em comum, não temos um selecionado.

 

DES: Para chorar é preciso...

Nuno: Eu choro e emociono-me com frequência, mas sempre por coisas boas, por bons testemunhos, por ovações ou por grandes vozes a cantar.

André: Alguém me magoar profundamente, mas é difícil. Acho que não choro há anos…

 

Amor, O Caprichoso Boomerang

por CARLOS MARINHO

Psicólogo Clínico e da Saúde, certificado pela EuroPsy; Membro Efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses; Diretor do espaço CresSendo, em Braga

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Gérard DuBois

Pena é não haver um manicómio para corações, que para cabeças há muitos

[Florbela Espanca in ‘Correspondência’ (1912)]

 

Na pós-modernidade não existe já um conceito nem um trajeto unitários. Não há definição que semanticamente lhe concentre todas as nuances. Há uma pluralidade de semânticas do Amor e a reboque, toda uma multiplicidade de ideários amorosos consequentes. Sabe-se que a compasso do movimento romântico ocidental, o Amor passou a basear-se na identificação projetiva como processo pelo qual os/as potenciais parceiros/as se atraem, gerando entre si uma motivante sensação de totalidade recíproca. Tornando-se o Amor romântico a base do casamento moderno, a livre escolha de parceiros/as associa-se agora ao enamoramento e toma para propósito a procura de uma pessoa especial.

A identificação projetiva é um mecanismo psíquico inconsciente e automático que ocorre sempre que um aspeto desconhecido de nós próprios/as é ativado, deslocado e depositado em certos objetos e/ou pessoas. De forma simples, durante o estado nascente de enamoramento (vulgarmente conhecido por estado de 'paixão') sentimo-nos atraídos pelo tanto que projetamos no Outro, a partir do tanto que em nós desconhecemos. Queremos ao Outro como Narciso quer Narciso ao lago. Sob o efeito deste 'estado nascente', menorizam-se os defeitos do Outro, maximizam-se as suas qualidades, distorce-se a sua realidade. 

Um demorado olhar lúcido sobre a sociedade atual perceberá que a prevalência dos valores individualistas têm vindo a traduzir-se numa ética de libertação pessoal e de autorrealização sem precedentes; mas também a perverter-se para uma diminuição do diálogo, do espírito de solidariedade e de tolerância ativa, e para uma perigosa promoção do narcisismo em detrimento da imprescindibilidade do Outro na manutenção de relações sadias e significativas. O desinvestimento afetivo vai gerando uma crescente estranheza face ao que é do domínio das emoções e das competências sócio-emocionais; consequentemente, as relações interpessoais tornam-se mais fugazes, mais banais, destituindo-se do seu carácter direto e humano.

Da prevalência do idealismo sobre a racionalidade, valorizam-se relações veladas pela excitação do mistério e do exótico, onde o Amor será tanto mais puro e autêntico quanto mais permitir perceber o Outro como um ideal. Não raro, a intimidade romântica converte-se assim no espaço para a reconstrução da imagem idealizada do “si próprio/a”, alimentada pelos padrões de uma cultura que exalta e glorifica um ‘eu logocêntrico’, devolvendo-a depois, de forma confiante, ao convívio social mais amplo, e menos íntimo.

Socialmente apoiados pela propaganda do umbiguismo, recusamos tudo quanto se não perceba feito ao talhe exato da nossa fantasia; preferimos o espelho que melhor capte o ângulo da nossa presumida idoneidade, evitando aquele que nos mostre as incontornáveis imperfeições do humano em nós. À medida que a frustração das expectativas se amontoa, a prevalência do individualismo por sobre a dimensão ética da relação instala um sombrio sentimento de precariedade, em que existe sempre a possibilidade de se escolher outra pessoa, em que ninguém é insubstituível. Isto sugere que a probabilidade de se sair desapontado da relação é maior, e explica parcialmente a crescente ansiedade afeta ao compromisso da conjugalidade.

Reagindo sob influência da ansiedade, a atividade humana dispersa-se na sôfrega busca de novos prazeres e lucros que possam compensar o vazio interior, deixando incólume todo um cadastro de lições por ressignificar. E assim, o Amor convertido a um dos mais cobiçados recursos evitantes face a tudo o que aparente limitar a expressão da felicidade humana individual, passa a ser outra das obrigações consumistas da indústria capitalista – um Amor agite-antes-de-usar.

Mas a queda das máscaras, sabemo-lo também, é praticamente inevitável. À medida que os/as apaixonados/as vão retirando as suas projeções, o retrato de um/a e outro/a surge na sua crua veracidade sem mais efeitos especiais. Caduca o ‘efeito Cinderela’ do estado nascente de enamoramento. No número das boas notícias, porém, conta-se a de que o Amor é uma competência treinável – acessível a quem se capacitar da importância de compreender, aceitar e fruir da diferença, regulando sentimentos de frustração e comportamentos de birra frequentemente associados à quebra da 'idealização'. O desenvolvimento da personalidade humana consiste largamente em assimilar os conteúdos projetados, tornando-os conscientes e parte do nosso psiquismo. Não estando centrados/as e conscientes a respeito de quem somos, dificilmente conseguiremos regular a tendência natural para distorcer o Outro, e o teatro de sombras mantém-se em cena.

Se nada nos põe mais a nu do que o espelho do olhar do Outro, é apenas sadio identificarmo-nos positivamente com o que vemos. Sem a capacidade de reconhecer, cuidar e fortalecer uma noção organizada e real de ‘eu’, as tentativas de orientação rumo ao Amor poderão ver-se severamente obstaculizadas. Quem toma o Amor por estratégia de evitamento ao real, subjuga-se à própria amputação. O Amor é próximo de um momento de verdade, é a chamada ao crescimento do Peter Pan em nós: quem a recusa, condena-se ao contramundo da «Terra do Nunca», e toda a sua linha desenvolvimental é paralisada no tempo.  

Na sociedade de uma ‘ejaculação emocional precoce’, a necessidade tiranizada pelo ‘quero já’ trivializa o suado compasso de espera que a sedução implica; faz-nos esquecer que o Amor, como o sono, deve sobrevir espontaneamente à consciência. E tal como vamos adormecendo ao longo do dia, também vamos aprendendo a amar ao longo da vida. O Amor vive do desejo, e o desejo da ausência que parecemos não conseguir tolerar; da ânsia que nos não permitimos sentir; da imaginação que avidamente trocamos pela imediatez do consumismo. É o Amor que escolhe a sua hora de chegada; se tanto, permitamo-nos ser encontrados/as. Ainda assim, a presunção narcísica é mais forte: queremos tomar para nós as rédeas da realidade. Forçamos o que não pode ser senão involuntário. E o resultado é a experiência de um sentimento postiço, não vivo, não vivificante.

Com o medo do que há de mais desolador na solidão do ser-se humano, multiplicam-se os/as hipoativos/as com défice de atenção relacional. Acaba isto por resultar num vazio intersubjetivo de estar-com, uma desintegrante desinteriorização das vivências pessoais, repassado de experiências transitórias, epidérmicas e banalizadoras do Amor e do compromisso.

A relação otimal não é aquela que une pessoas perfeitas ou iguais, mas aquela onde cada um/a aprende a aceitar as suas próprias imperfeições e as imperfeições do Outro, convivendo harmoniosamente com elas, admirando-as e celebrando-as, querendo conjuntamente o que é importante para cada um/a.

Semelhante aprendizagem relacional implica dispormo-nos a conhecer o Outro por quem ele é, através de um processo que se impõe naturalmente lento, gradual, e tentativo, na sua mais irredutível singularidade. Para sermos bem-sucedidos, importa praticarmos uma atitude de recetividade, de acolhimento e de cuidado, incentivando o Outro à expressão máxima da sua individualidade, e abstendo-nos de força-lo aos moldes de um protótipo ideal, anterior à sua realidade própria, fazendo exatamente o mesmo connosco. Será por isso apenas assisado que antes de nos entregarmos a alguém que concentre aspetos da nossa admiração, possamos desenvolver primeiro essas características em nós mesmos/as: sermos quem gostaríamos de ter a nosso lado.

Não há praticamente nenhum empreendimento que seja iniciado com tão tremendas esperanças e expectativas, e ainda, que falhe tão regularmente, como o Amor. Há quem se furte às rosas por temer-lhe os espinhos; quem boicote as oportunidades de demorá-lo receando a rejeição ou o maltrato; quem não lhe bata à porta, por medo a que não lha abra. Há-os/as para quem se torna mais fácil deprimir do que enfrentar a tristeza de uma não-reciprocidade; há-os/as para quem seja mais cómodo cair em ansiedade do que enfrentar o medo. Muitos/as se queixam, como Espanca: “Pena é não haver um manicómio para corações, que para cabeças há muitos”. Tal como a vida objetiva dos nossos dias, também a nossa interioridade psíquica vive do que lá se põe dentro. Em grande medida, cabe-nos desenvolver a força interior necessária para subsistir à dureza dos desafios. Isto implicará, antes de mais, um entendimento compreensivo, tolerante e 'amável' de nós para connosco próprios/as. Como um boomerang, a experiência do Amor devolver-nos-á sempre o muito ou muito pouco que nos permitimos investir.

O caráter ativo do Amor pode ser descrito afirmando-se que ele consiste, antes de tudo, em dar, não em receber – dar de nós mesmos/as, do nosso tempo, da nossa compreensão, do nosso conhecimento, dos nossos sentimentos. Dar, temendo desde dentro essa dádiva, condiciona e poderá mesmo paralisar o processo de entrega. É desde dentro que começa o Amor que podemos reciprocar: desde a aceitação dos medos e inseguranças que são expressões máximas da nossa humanidade. No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas tornam-se gratas pela vida que para ambas nasceu. Ser-se em humildade, verdade, coragem, fé e disciplina, de si para consigo mesmo/a e, por extensão, no encontro com o Outro, é permitir que o Amor se sagre como uma força que produz mais e mais e mais Amor. Até mais não haverem manicómios capazes de conter o tanto que nos transborde do coração.

14 Factos Curiosos Sobre Flores Num Dia Cheio De Amor

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©Alexas

Sabia que?

 

1- A flor é o símbolo cósmico da vida, do amor e da geração.

2- As flores do Ylang-ylang são utilizadas na produção do perfume Chanel Nº5, e devem ser colhidas ao amanhecer e imediatamente colocadas para secar em cndições adequadas para que o seu óleo seja de excelente qualidade.

3- Flores amarelas significam sabedoria, força, poder e hierarquia.

4- Na Guatemala, flores brancas são utilizadas somente em funerais.

5- O jasmim é mundialmente famoso por ser uma das flores mais afordisíacas que se tem conhecimento, sendo largamente utilizado no Oriente em forma de óleo de massagem e perfumes elaborados com as sua pétalas.

6- Rosas e lírios ajudam a relaxar, contêm feniletilamina. A substância  estimula o organismo e produz sensações de prazer e bem-estar quando se chega em casa, após um dia de trabalho. 

7- Para se produzir um litro de óleo de jasmim são necessárias cerca de seis milhões de flores.

8- Existem mais de 50.000 espécies de orquídeas, a baunilha é extraída de uma orquídea do género Vanilla, por isso em alguns países baunilha tem  nome de Vanilla.

9- As primeiras rosas datam de 35 milhões de anos atrás, e 500 anos antes de Cristo antigas civilizações já depositavam rosas no túmulo de seus antepassados como forma de os homenagear.

10- Hipócrates, “pai da Medicina”, utilizava pequenos concentrados de flores para combater algumas doenças.

11- O poder afrodisíaco das flores ficou conhecido na antiga Grécia, através da mitologia, onde Afrodite a Deusa do Amor era homenageada pelos gregos através de “poções mágicas” preparadas com flores e ingeridas pelo povo com o objectivo de aumentar o vigor e o prazer carnal.

12- Sonhar que recebe uma flor de alguém, é casamento para solteiro.

13- São necessárias 5 toneladas de rosas para se obter um litro de óleo essencial.

14- Cleópatra, seduziu Marco António utilizando um perfume que continha um perfume de óleo extraídos das flores de henna, açafrão, menta e zimbro.

Miguel Costa

    O que têm em comum Miguel Costa e Júlio Isidro? Ambos partilham uma força incrível, o sentido de humor, a RTP e o Miguel Costa sonha em ser apresentador, não havendo para já essa concretização.  

    Durante 20 anos foi secretário da Assembleia de freguesia da vila de Arrifana e professor de Ciências Naturais e Biologia durante 1 ano.

  É médico especialista em pediatria, de caligrafia horrível,  ligado à nutrição em idade pediátrica e como acontece habitualmente, é guloso. Embora a comida seja capaz de reconfortar a alma.

    Adora cozinhar (era de esperar) e cantar em francês.

    Confessou que preferia ser actor na série Morangos com Açúcar do que fazer análises, lá no fundo é um médico com medo de agulhas.

 

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DES: A pediatria foi sempre um desejo? Quais os factores que contribuíram para a escolha?

Miguel Costa: Não. Quando era miúdo queria ser professor. Sempre gostei da ideia de trabalhar com criança e do ensinar ao curar foi um passo. Depois de optar pelo curso de Medicina e não gostando de especialidades cirúrgicas optei por Pediatria. Ao trabalhar com crianças e adolescentes posso contribuir para o seu crescimento e desenvolvimento, de forma a serem adultos mais saudáveis e responsáveis. Usando um lugar comum, as crianças serão os homens do amanhã. Saliento também o papel importante de uma professora, Dra. Jeni Canha, Assistente de Pediatria e da minha mulher, nesta decisão.

 

DES:  Qual é o maior privilégio da tua profissão?

Miguel Costa: Ser médico é ter os conhecimentos e as aptidões suficientes para poder prolongar a vida com qualidade

 

DES: Há hoje uma maior valorização da pediatria?

Miguel Costa: Acho que sim. Actualmente as pessoas confiam mais nas orientações dos pediatras em relação a outros especialistas. Vejamos, por exemplo, o que se passa em relação ao recurso às urgências pediátricas versus urgências sem pediatras. O que o pediatra propõe é geralmente bem aceite e as famílias seguem mais facilmente as suas orientações, quer em medidas preventivas, quer no caso de doença.

 

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© MC 

 

DES: Se não fosses pediatra serias Professor.  E se não fosses professor? 

Miguel Costa: Seria um entertainer/speaker. Adoraria trabalhar no meio televisivo. (risos) Um apresentador, comentador, ou até júri de concursos, um novo Júlio Isidro. (risos) E quem sabe, fazer pequenas participações em séries, novelas, filmes. (risos)

 

DES: Um verdadeiro artista. (Riso) Tens tido um papel importante no inicio de carreira de novos profissionais. É importante para ti ensinar, passar uma mensagem positiva, corrigir qualquer ideia pré-concebida?

Miguel Costa: Claro que sim. Adoro ensinar, a minha tal vertente de professor e dá-me uma grande satisfação assistir ao crescimento destes jovens profissionais. Aliás, já alguns jovens médicos me confessaram que escolheram pediatria influenciados por mim.

 

DES:  O mundo está aos pés das crianças?

Miguel Costa: Poderá estar, se os adultos não o estragarem.

 

DES: Voltando ao entertainer e aos sonhos. Há algum sonho que seja importante para ti?

Miguel Costa:  Um mundo com menor sofrimento e com uma maior igualdade de oportunidades, mas no conceito de uma meritocracia.

 

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DES: Vamos fazer um jogo. Eu digo uma palavra e tu dizes o que vier à memória. “Ainda…

Miguel Costa: Há muito a fazer na educação das nossas crianças.

 

DES: “Vivemos…

Miguel Costa:  ...num mundo que necessita de melhorar em muitos aspetos. Mas que não é tão mau assim.

 

Des: (Risos) “Assim...”

Miguel Costa: ... temos de tentar ser felizes!

 

DES: “Entretanto…

Miguel Costa: Sorriam e não se esqueçam de viver.

 

DES: Obrigado. 

Ávila (e um hóspede chamado Guido Caprotti)

Ávila em 20 fotos.

   Ávila é uma das cidades espanholas Património da Humanidade protegido pela Unesco e tem o melhor festival Internacional de circo - CIR&CO - da Europa.

   É considerada a cidade de Santa Teresa de Jesus (Ordem das Carmelitas Descalças) pelos bons e maus motivos. Guido Caprotti, pintor italiano, é adoptado pela cidade em 1916. 

   As muralhas de Ávila são das poucas que estão completas do mundo, com um perímetro de 2516 metros, 87 torreões e 9 portas, circulando inteiramente a cidade.

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Obra do pintor italiano Guido Caprotti (Monza-1887/Vizcaya-1966), que viveu boa parte de sua vida na cidade e nela realizou grande parte de sua obra artística

 

   O Museu de Ávila, Casa de Los Deanes, Palácio de Superunda, a Igreja (museu) de Santo Tomé ou o Museu de Santa Teresa, são alguns dos museus que destacam  períodos culturais e significativos para a cidade: pré-história, civilização romana, idade média. 

 

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Miradouro 'Los 4 postes' 

   O miradouro é uma construção do Séc. XV, constituída por 4 colunas dóricas e uma cruz no centro. É  o monumento mais fotografado na cidade.

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   15 de outubro são os festejos em honra de Santa Teresa, padroeira de Ávila. A 2 de maio, é a romaria de San Segundo pelas ruas da cidade, uma das tradições considerada património da cidade. 

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   No último fim de semana do mês de Junho há festival gastronómico, onde se homenageia a comida da cidade. 

   Julho é festa do verão com diversas actividades e o mês de Agosto é dedicado à musica, com concertos e no último fim de semana os museus ficam todos iluminados, mostrando a sua beleza. 

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'Las voz de las tinieblas' ou o 'El Sereno', pintado por Guido em 1918.  

 

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   Setembro são as Jornadas Medievais , CIR&CO, Ávila Mágica e a Semana Europeia da Cultura judaica. Novembro é dedicado ao teatro.

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http://www.avila.es/