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Depois em Seguida

CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

13 de Maio, 2020

#odiaemqueopoemarebentoudochão, António MR Martins

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©Carlos Daniel Marinho

 

Pelas Águas Do Teu Olhar

 

Existe um palco de promessas

no interior do teu olhar

e uma imensidão de mar

por detrás das tuas pálpebras

afagando a profundeza dos teus segredos.

 

Quem me dera poder navegar

com os remos da sensualidade

declamando versos de amor

sem limites infundados

em todas as milhas dessas águas.

 

António MR Martins

 

13 de Maio, 2020

#odiaemqueopoemarebentoudochão, Antonino Bernardo

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© Carlos Daniel Marinho

 

 Musgo 

 

Até por ali a solidão escorria

num tom bastante mais aceso do que o habitual

escondia os olhos inchados

e os dedos dos cigarros.

 

Bebia chá sem tirar os olhos da chávena

e mentia sobre os sonhos

                          (a não ser por interesse)

                          temia as suas próprias fantasias.

                          (podia escurecer-lhe a consciência)

 

Plantava musgo ajoelhado no pó

enquanto as flores ficavam por trás da sua sombra.

                           (sabes que mais?)

E não pensava no amor

o amor libertava-lhe os medos

                           (contra tudo o que ele simbolizava)

e o silêncio que passou em criança

até por ali a solidão escorria.

 

Antonino Bernardo 

 

13 de Maio, 2020

#odiaemqueopoemarebentoudochão, Ana Beatriz Cruz

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© Carlos Daniel Marinho 


Ironicamente Juntos

 

Acordámos e tinhámos mais tempo.

Na ironia finalmente estávamos juntos.

Juntos nos últimos 100 metros quadrados que nos restavam.

Trocávamos mais palavras.

Demorávamos mais a preparar refeições.

Tínhamos tempo para estar no sofá.

Apreciamos o som dos pássaros e o cheiro das flores.

Sentíamos mais.

E partilhavámos tanto amor.

Finalmente estávamos despidos.

Já não importava quem fomos.

Porque éramos melhores.

Mais verdadeiros.

Mais conscientes.

Já não importava quem seríamos.

Porque estávamos a viver o presente.

Mais unidos.

Mais felizes.

Mais humanos.

Acordámos e temos mais tempo.

Na ironia finalmente estamos juntos.

Juntos em casa.

Juntos em família

Juntos em comunidade.

Juntos no mundo.

Já não importa quem fomos.

Porque hoje somos melhores.

Mais humanos.

E ninguém esquece o cheiro do mar e a brisa do vento.

E quando a chuva passar a vida vai ser melhor...

Com mais tempo...

 

Ana Beatriz Cruz

12 de Maio, 2020

#odiaemqueopoemarebentoudochão

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#odiaemqueopoemarebentoudochão 

3 dias
33 poemas

Tenta-se o reerguer, o ressurgir e o renascer. E tudo isto começa pela base. É importante não esquecer a poesia enquanto cultura e os seus autores.

Neste projecto fala-se de amor e da sua ausência, de choros e de sorrisos, silêncios, murmúrios, experiências, instantes, intensidades, encontros e desencontros, de Deus, percursos e lugares.

O poema não é somente uma leitura, mas também algo pessoal, um ritual, uma paixão, uma maneira de escapar aos compromissos, porque o poema é dos poucos contextos em que um escritor pode abordar o seu leitor sem lhe ser apresentado. O poema é para todos os dias. Todos os dias são poemas.

«Acabar um poema não é só
pôr um ponto final no fim dum verso»

Maria da Graça Pulquério


Durante 3 dias 11 poemas diários são publicados no Blogue “DES - Depois em Seguida” e divulgados na página de Facebook.

Vamos lá então rebentar o chão!

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As ilustrações dos poemas são da: 

Iolanda Moutinho 

Nascida no Porto, formou-se em Artes Visuais e Tecnologias Artísticas na Escola Superior de Educação do Porto. Cativada pela ilustração, desenvolve o seu trabalho partindo das aguarelas, aparo e lápis de cor. O seu trabalho é também completado em outras dinâmicas, como a cerâmica, bordado, a pintura a óleo e pintura mural. Ainda assim, em todas as suas vertentes, note-se na uniformidade do traço, do volume e da cor, em conformidade com o ativismo, presentes nas suas criações.

Carlos Marinho

Criador artístico, autor, performer premiado e psicólogo. No número das suas realizações artísticas contam-se as exposições ‘Suficiente Solidão’, ‘Pedra Papel Tesoura Beija-me’, e ‘Sonhar com Ladrões’;  participação no musical ‘A Bela e o Monstro’, pela companhia Música no Corpo; as performances de teatro-dança ‘(Re)Nascimento’ e ‘Nolens Volens’; a edição do livro de contos ‘Y’; Mais recentemente, assina a rubrica ‘Pode Um Desejo Imenso | Momentos Literários com Carlos Marinho’, para a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. 

07 de Maio, 2020

Feng-Lui. Não sabes o que é? Dá para fazer em Casa.

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O Feng-Lui (deslizar com o vento), provavelmente criado por um filósofo Japonês,  é uma reprodução de uma paisagem em miniatura (
em vaso) da natureza. Estes vasos, ovais ou redondos,  devem ser baixos em altura (vaso de bonsai ou em suiban), onde se misturam os ciclos criativos e destrutivos do Ying e do Yang, de forma a obter o equilíbrio Vital.

No Oriente, dar ou possuir estas miniaturas, significa desejar para si ou para os outros as virtudes da prosperidade, sabedoria, abundância e saúde. O Feng-Lui deve ter plantas mais altas que representam os topos sagrados da China, areias das praias como protecção de doenças e más influências.

Actualmente são muitas as pessoas que fazem estas miniaturas da natureza, seduzidas pelo encanto, história e tradições de um passado. O Feng-Lui é uma maneira de entender a visão do mundo, o prazer de apreciar coisas simples.

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Criação de um Feng-Lui.

MATERIAL NECESSÁRIO

- 3 Plantas (quantidade mínima) de vários tamanhos (podem ser utilizadas todo o tipo de plantas)

- Vaso ( podem ser de bonsai ou suiban)

- Musgo

- Areia

- Rochas

- Terra

- Outros elementos naturais que desejarem

 

EXECUÇÃO 

- Retirar a terra das plantas. IMPORTANTE: Não danificar as raízes.

- A plantação deve ser feita da planta mais alta (no centro) para a mais pequena e com terra nova misturada com um bocadinho de areia.

- Cobrir com o musgo.

- Embelezar a paisagem com os restantes materiais.

 

CUIDADOS

- Evitar a desidratação, os Feng-Lui vivem em espaços pequenos. Regar sempre que a camada superficial do solo comece a secar.

- Expor com bastante luz, mas sem sol directo.

- Os Feng-Lui podem ser adubados.

- Pode podar as plantas.

05 de Maio, 2020

As mais bonitas introduções cinematográficas narradas pertencem a um drama e a um thriller LGBTQ de 1992

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©Nelson Lau | Divulgação Devil’s Path

Sempre gostei de filmes narrados ou com ligeiras narrações. A ideia principal multiplica-se, cria entre nós uma ligação de sangue e fortifica-se. Uma boa narração é uma das minhas razões para gostar de um filme. Mas poucos se atrevem a dizer isto: há dias que apenas ouço filmes.

Escolhi dois filmes, um drama e um thriller, com as mais bonitas introduções narradas. É um risco dizer isto assim. É uma escolha amadurecida. E dar nunca é impor.


A introdução de One Less God de Lliam Worthington poderá recusar a própria vida num caminho religioso. Uma dádiva que nos torna livres? E será o filho capaz de escolher o final de outras vidas? Será a fé capaz de dar respostas para os problemas? Ou toda a educação religiosa é uma imposição? E tudo isto é amor? Não importa as nossas escolhas, importa a nossa felicidade. E o filme começa.

One less God é baseado nos ataques de Mumbai (2008), que deixaram a Índia e grande parte do mundo paralisados. Morreram pessoas de vários países. Curiosidade: são sete línguas faladas no filme e é principalmente um filme humanista.

O minuto de introdução no filme Devil’s Path abre dois cenários: é urgente mudar enquanto sociedade e é preciso saber mudar. A tornar verosímeis estes cenários ao longo do filme, o amor poderá ser a revolução da mudança e há outro elemento a ter em conta, a mentira enquanto escolha e consequência.

Decifrar o que está a acontecer neste thriller mental de  Mathew Montgomery é um quebra-cabeças.


02 de Maio, 2020

Ricardo Azevedo

Por Amaro Figueiredo 


Impunha-se uma homenagem à música.  

Quem encarna o espírito português tão bem como o Rui Veloso e o Pedro Abrunhosa, conservando-se tão eterno como Roy Orbison?  Resposta: Ricardo Azevedo.

Ricardo Azevedo nasceu no ano mais importante do punk rock.  É compositor, músico e cantor. Coincidência. “Pequeno T2”, “Daisy”, “Somos dois espaços” ou “O amor não me quer encontrar”? Quem não se lembra destas músicas?

Foi vocalista dos EZ Special e, em 2010, um dos oito convidados de “Playlist” (canal Biography), sobre projectos marcantes do cenário musical português.

O Ricardo é pai da Francisca.

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©RA

DES: Comecemos pelo início: sempre te imaginaste como cantor? Como percebeste que querias estar ligado à música? Ou pensavas ter outra profissão?

Ricardo Azevedo: Não. Quando andava na pré-primária dizia que queria ser bombeiro ou polícia. Mas a música começou cedo a despertar em mim. Lembro-me de ter uns 5 anos e ficar maravilhado com o filme "Grease" que deu na RTP. Foi com naturalidade que quis aprender a tocar guitarra na minha adolescência. Comecei a desenvolver aptidões como autor e interprete.
Só comecei a acreditar em fazer disto profissão com a música "Daisy" em 2002.

 

DES: Em que medida é que o amor é importante no vosso processo criativo?

Ricardo Azevedo: Tudo é importante. A nossa vida e o nosso equilíbrio vai influenciar o que compomos. Tanto musicalmente como nas letras. Se estivermos a sair de uma relação, será natural fazer um disco mais pesado e escuro. Se estivermos mais felizes, a música será mais alegre, positiva e leve. Tal como o ambiente em que vivemos. Um artista que viva num ambiente tropical terá um tipo de música diferente de outro artista que viva no frio. Somos humanos...

 

DES: Preferes a ideia – letra – ou a música?

Ricardo Azevedo: Neste momento tenho muitas formas de chegar a uma música. De forma a motivar-me e pisar territórios diferentes, tenho vindo a mudar constantemente. Mas normalmente é mais fácil começar pela música.


DES: O que consideras um trabalho irreverente na música?

Ricardo Azevedo: É fazer algo diferente. É difícil ir por esse caminho porque as pessoas gostam de familiaridade / popularidade e temos que obter resultados para ter trabalho.

 

ricardo aze 4.jpg©RA

DES: Estamos sempre a tropeçar na eterna pergunta: porque é que Portugal não valoriza os seus talentos?

Ricardo Azevedo: Verdade. Os Portugueses valorizam mais o que vem de fora. Um artista estrangeiro tem uma promoção a nível global e vem com um sucesso diferente dos artistas Portugueses. Depois os artistas Portugueses tocam em todo o lado e acabam por se banalizar. Os artistas estrangeiros raramente passam por cá. Mas temos artistas com qualidade e capacidade para ter sucesso em qualquer lado.

 

DES: Quais foram as tuas referências musicais quando começaste a produzir o teu trabalho

Ricardo Azevedo: James, U2, Rui Veloso, The Smiths, Queen, Pearl Jam, Nirvana, Elvis, Roy Orbison, Bruce Springsteen, Inxs, Pedro Abrunhosa, Jeff Buckley. E tantos outros...

 

DES: O que mais te inspira no outro e porquê?

Ricardo Azevedo: Vivemos numa sociedade muito superficial e interesseira, pelo que adoro simplicidade, sinceridade e transparecia. Inspira-me reciprocidade e sobretudo pessoas boas.


DES: Quais foram os melhores momentos, desde que começaste a “enfrentar” o público em festivais, concertos?                    

Ricardo Azevedo: Comecei em 2000 com os Ez Special e depois veio a minha carreira a solo. Foram tantos os momentos... Destaco a viagem que tem sido estes 20 anos de carreira.

 

DES: Em termos de mecenato na Cultura, como vês a realidade actual na música?

Ricardo Azevedo: A música está sempre a mudar. Quando comecei a música assentava no mercado discográfico. Hoje assenta nos concertos. Neste momento de pandemia está tudo parado. Vamos ver e esperar que tudo volte a normalidade.

ricardo az.jpg©RA

DES: O que gostavas de fazer que ainda não tiveste oportunidade de concretizar? 

Ricardo Azevedo: Muita coisa. Há muitas músicas que quero trabalhar que tenho em gaveta e muita estrada para fazer. Estou adorar fazer canções para os manuais escolares da Areal Editores por exemplo e trabalhar com os mais novos.


DES: Como vês o futuro da música?

Ricardo Azevedo: Espero que isto volte à normalidade. Talvez teremos que esperar por uma vacina ou um medicamento eficaz. Isto vai passar e temos que continuar! Haverá sempre música enquanto existir humanidade.


DES: Há alguma coisa de que te arrependas muito?

Ricardo Azevedo: Não! A vida é feita de escolhas e faz parte do nosso crescimento tanto as coisas boas como as menos boas.

 

DES: Como ocupas os teus tempos livres?

Ricardo Azevedo: Faço desporto, ouço música, vejo filmes e gosto de passar tempo com a minha filhota Francisca.

01 de Maio, 2020

Nevoeiro em Agosto, de Kai Wessel

Por Amaro Figueiredo 
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©Divulgação

★★★★☆

O realizador Kai Wessel surpreende – sempre – pelos seus dramas silenciosos – quem não se lembra de March of Millions –, na verdade, pelas lições que deles se podem colher. Às vezes, o silêncio é um alerta para que não se volte a cair nos mesmos erros e uma ocasião para que seja repensada a crueldade passada. Como noutros momentos da História as guerras não são «um mal que vem por bem».

                                 

Nevoeiro em Agosto (baseado no livro de Roberto Domes, com factos reais), é um jogo de interesses egoístas, que salienta a limitação moral, os valores éticos e outras atrocidades cometidas durante a 2.ª Guerra Mundial.

 

O poder da “mão invisível” que-faz-tudo-e-que-pode-tudo. Ódio/racismo: é disso que se trata. O ódio pessoal e político pelo outro, crianças ou adultos, doentes ou não doentes. O nojo pela pessoa deficiente e a falta de subsidiariedade. A indiferença de forjar o destino dos outros. O silêncio da falta de dignidade na própria morte é medonho no filme.

 

E o amor? O amor há de chegar com a certeza de um miúdo cigano (comunidade nómada yeniche) que começa a lutar pelo direito à vida de uma minoria, capaz de enfrentar o medo e o destino. Para Ernest Lossa ( Ivo Pietzcker, personagem principal) a felicidade será sempre desejar aquilo que se ganhou até ao momento – amor e amizade –, e até mesmo a solidão de uma família.

 

Com ordens de Hitler, 200.000 pessoas (homens, mulheres e crianças) portadoras de deficiência física e mental, doentes crónicos e órfão morreram entre 1939 e 1945 sem deixar suspeitas. Um dos métodos utilizados foi a “Dieta da Fome”, sopa sem nutrientes, as vitimas morriam de desnutrição mesmo comendo.

 

Sinopse

Ernest é considerado incorrigível e o rapaz, já com 12 anos, é enviado para um hospital psiquiátrico. É aí que irá descobrir, pela primeira vez, a amizade e o amor, mas é também o momento em que começa a desconfiar do que realmente acontece naquele hospital.

 

 

 

 

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