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'As Três Irmãs do Sertão', com Sara Galvão | Companhia de Actores

TEATRO_Agenda

CDA_TR+èSIRM+âS (1).jpg©As Três Irmãs do Sertão

 

A missão é simples: A Companhia de Actores apresenta um novo espetáculo, As Três Irmãs do Sertão, no dia 21 de setembro às 21h30, no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço.

 

O espetáculo transporta o público para o Sertão nordestino segundo a trajetória de três irmãs, Irina, Macha e Olga que sonham em abandonar a seca e o calor escaldante que afeta o nordeste, numa busca por uma vida melhor em São Paulo. Com um enredo inspirado no texto original do russo Anton Tchecov, a peça conta com a concepção artística de Sara Galvão, com músicas de Luiz Gonzaga e poesias de Patativa do Assaré.

«ANTES DE PISAR O PALCO

ROLA AQUELE FRIOZINHO NA BARRIGA

E A PERGUNTA

"SERÁ QUE VAI DAR CERTO HOJE?"»

 

DES: Como é representar três personagens de uma só vez?

Sara Galvão: Eu jamais imaginava fazer um solo ou interpretar três personagens de uma só vez. Na verdade, eu fui quase obrigada pelas circunstâncias a fazer isso. Quando o projeto surgiu em 2009, pensei e escrevi o texto para três atrizes, mas por determinação do destino, as outras duas atrizes não puderem concluir o processo pouco tempo antes da estreia e como eu seria avaliada no Mestrado pelo trabalho, tinha que arranjar uma solução. Então, na época, convidei três músicos brasileiros, Pedrão, Max e Ricardo,  para estarem no palco comigo e o baxista Ciro Cruz para fazer a direção musical. A presença dos meninos foi essencial para eu sentir que era capaz de encarar o desafio. Enfim, fui construindo as personagens partindo, do que eu chamo, de centro de comando e assim, as expressões corporais, vocais e etc. Hoje, dez anos depois, me sinto muito inteira em cena fazendo Irina, Olga e Macha, mas sempre antes de pisar o palco rola aquele friozinho na barriga e a pergunta "será que vai dar certo hoje?". 

 

«ESTOU MUITO FELIZ EM TRAZER

"MINHAS IRMÃS" A PORTUGAL,

ONDE ME SINTO TÃO ACOLHIDA E EM CASA.»

 

DES: Qual é a sensação de voltar - tantos anos depois - ao texto?

Sara Galvão: Eu estreei As Três Irmãs do Sertão há 10 anos aqui em Lisboa como atividade do Mestrado em Teatro na Escola Superior de Teatro e Cinema. Logo depois, voltei ao Brasil e o espetáculo acabou ganhando vida própria. Participou de mostras, festivais, temporada. Quando eu criei, não imaginava que o projeto fosse durar tanto tempo. Se tornou um espetáculo do meu repertório que sempre volto a apresentar. E para comemorar uma década, retornar a terirnha onde As Três Irmãs do Sertão nasceram, viabilizado através do Edital de Mobilidade Artística e Cultural do Governo do Estado da Bahia, é emocionante. Estou muito feliz em trazer "minhas irmãs" a Portugal, onde me sinto tão acolhida e em casa.

 

«RENOVAR PARA NÃO ME ACOMODAR,

MAS MANTER SEMPRE A CENTELHA ACESSA.»

 

DES: Há diferenças?

Sara Galvão: Nesses 10 anos, o espetáculo passou por diversas fases, foi amadurecendo. Por exemplo, inicialmente, eu era acompanhada por três músicos, agora tenho a companhia apenas de um sanfoneiro,  o maestro Estevam Dantas que também assina a direção musical do espetáculo. Também, nesse ano, Alisson de Sá, que já fazia a iluminação, passou a assumir também a encenação dando uma nova energia e olhar. Também foram introduzidas as participações dos atores Harildo Deda, em áudio, e Daniel Rabelo, em vídeo. Ou seja, estou sempre buscando renovar para não me acomodar, mas manter sempre a centelha acessa. 

DES: Obrigado, Sara. 

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***
Pode acompanhar a Companhia de Actores em:

http://companhiadeactores.pt/

https://www.facebook.com/likecompanhiadeactores

https://www.instagram.com/companhiadeactores/

https://www.youtube.com/user/CompanhiadeActores

Sobre a Companhia de Actores:

Uma companhia com mais de 15 anos de existência que desde 2008 é responsável pela gestão e programação do Teatro Municipal Amélia Rey Colaço, em Algés. No seu percurso contam-se várias produções teatrais, inúmeras horas de formação e a produção de eventos de significativa dimensão, como o MITO - Mostra Internacional de Teatro de Oeiras e o Festival POEIRAS da língua portuguesa, entre outros. Além disso, fruto do seu trabalho, a CDA foi já agraciada com a Medalha Municipal de Mérito - Grau Prata - Câmara Municipal de Oeiras 2010; e com o Prémio "Boas práticas autárquicas" da Fundação Calouste Gulbenkian, em 2008, pelo seu Projecto Ampliarte – Cultura e Intervenção Social.