Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Depois em Seguida

CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

Depois em Seguida

CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

Dinarte de Freitas

Dinarte de Freitas, natural da Madeira e actor de mão cheia, não pára de surpreender. Apareceu no filme de João Maia, ‘Variações’, e protagonizou a cena de abertura do sexto episódio da terceira temporada de "Stranger Things", a série sobrenatural dos irmãos Duffer da Netflix, contracenando com o actor Cary Elwes (SAW).

 

"Para mim foi uma surpresa incrível chegar ao 'set' de filmagens e ver uma feira popular completamente recriada."

 

Fez parte da série ‘Ministério do Tempo’ (RTP), ‘A Teia? (TVI) e ‘Um lugar para viver’ (RTP). Escreveu e filmou a curta-metragem ‘As memórias nunca se apagam’ (2010).

Quem não se lembra, quem nunca viu ‘Capitão Falcão’, de João Leitão?


76643686_407700980139466_4236015803255750656_n.jpg©Dinartede Freitas

 

DES: Como percebeste que querias estar ligado à 7.ª Arte?

Dinarte de Freitas: A minha memória mais antiga, agora olhando para trás, do primeiro instinto de que gostava de representar foi aos 5 anos. O fascínio pela televisão mais propriamente pelos desenhos animados, revelava-se mais nas características das personagens, das vozes e do texto, muito mais do que no conteúdo em geral ou como forma de entretenimento. Dava por mim a tentar repetir os gestos e as vozes dos desenhos e repetia as frases e os textos de que mais gostava. Nesta altura os desenhos animados não eram dobrados. Via He-Man, She ra, Dino the Dinasour entre outros. Depois vieram as séries como Moonlight, The Love Boat e foi assim que aos 6 anos já compreendia inglês. Mais tarde o cinema americano na forma de Kung Fu, Westerns, filmes de Acção e Mistério eram géneros que me fascinavam e depois com a idade, esse fascínio pelo cinema, nomeadamente cinema americano, foi crescendo. Eventualmente aos 22 anos, estudei na escola The Lee Strasberg Theatre & Film Institute em NY.


DES: Tens algum processo criativo que te ajude a manter tranquilo? Antes de iniciar um novo trabalho.

Dinarte de Freitas: Sou muito privado no meu processo e na minha forma de trabalhar. Gosto de fazer investigação, seja ela no computador, nos livros através de vídeos ou internet na preparação de um personagem ou trabalho. Mas o processo que me tranquiliza e se revela mais imediato para mim, é o processo da observação. Gosto de observar a vida. Dou por mim, sentado a olhar as pessoas, as situações, consigo ouvir as conversas, perceber os pequenos sinais e gestos que fazemos no dia à dia. É no fundo o meu trabalho de casa sem sê-lo. É no fundo a minha forma natural de ser e isso ajude-me a estar emocionalmente aberto, para a troca que se quer, num set de filmagens ou décor.

Ted Westby.jpg

 ©Stranger Things | Netflix

 

DES: Qual foi o trabalho que mais gostaste de fazer?

Dinarte de Freitas: Não sei se consigo responder de uma forma imediata a esta pergunta. Considero os meus personagens pessoas reais. Confesso que nem gosto muito da palavra personagem, pois o meu processo criativo é sempre quase um “parto”. São pessoas que nascem de mim e raramente são versões de mim. Tenho que resolver a minha amizade comigo próprio. Talvez possa dizer que os trabalhos que menos gostei de fazer, foram aqueles que não pude construir em cima de mim. A confrontação com o meu eu original é ainda algo que me custa imenso. Quase a chegar aos 40 anos de idade, é um trabalho que ainda não consegui fazer.

DES: O que gostavas de fazer que ainda não tiveste oportunidade de concretizar?

Dinarte de Freitas: Viajar em família.  Revisitar as cidades que visitei, com os meus pais, irmã e sobrinhos. Mostrar-lhes um Mundo que ainda não conhecem. A vida infelizmente não lhes permitiu, mas quero retribuir tudo aquilo que me deram, sacrificando-se exatamente por terem ficado. 

dinarte w.jpg

©Patricia Castelo Branco