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'GERMANA, A BEGÓNIA', com Gi da Conceição | III Ciclo de Teatro – Cineteatro Jaime Gralheiro, S. Pedro do Sul

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©Teatro Perro

O III Ciclo de Teatro – Cineteatro Jaime Gralheiro, S. Pedro do Sul  – recebe o espectáculo da Companhia de Teatro Perro "GERMANA, A BEGÓNIA", monólogo escrito pelo escritor Ricardo Fonseca Mota (vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís) e interpretado pela actriz Gi da Conceição.

 

Perante a ameaça do fim do mundo, Germana vive fechada em casa. Um dia, a sua amorfa rotina é interrompida por uma carta de amor. Verá nela a salvação? Uma ameaça? Ou um mero acaso?

Germana, a begónia é um espetáculo provocador e inquietante. Uma reflexão profunda sobre a morte, o amor e o medo. Conseguirá Germana amar, sabendo que tudo o que ama terá um fim?

Como seríamos se não tivéssemos inventado a eternidade? 

 

"Eu não vou morrer, porque não existe morte para quem morre. (...)

Eu não vou morrer, vou só acabar."

 

 

cartaz begonia sps.jpg

 

«E DO AMOR SEM NOME E SEM ROSTO

DEIXAM-NA UM POUCO SEM SABER QUE RUMO TOMAR.»

 

DES: É difícil interpretar a Germana?

Gi da Conceição: Sim. É difícil interpretar a Germana. Ela é uma mulher cheia de desejos pela vida e vive atormentada por não saber como vão ser os seus próximos minutos. A questão iminente do fim do mundo e daquilo que ainda não viveu mas que gostava de viver, dos livros que ainda não leu, da presença oculta do pai e do amor sem nome e sem rosto deixam-na um pouco sem saber que rumo tomar. É zelosa, vive em medo. Mas talvez nos fizesse falta sentir um pouco do medo daquilo que ela sente. Sabemos que o mundo não vai acabar neste momento (pelo menos assim o idealizamos), por isso, há pessoas que vivem como se fossem viver para sempre. Faz-nos falta um pouco de irracionalidade. Ela, mesmo sabendo que o mundo terminará em breve, não se atreve à aventura. Será que devia? Quem sabe lá no fundo ela acredite que o mundo afinal não acabe.

 

«HÁ SEMPRE UM LIVRO QUE DEIXAMOS PARA LER AMANHÃ

E ESSE AMANHÃ PODE SER DAQUI A TRÊS ANOS.»

 

DES: Ainda vivemos como Germanas?

Gi da Conceição: Sem a menor duvida que sim. Deixamos as coisas passarem por nós sem as agarrarmos com a devida força. Temos sempre o medo, uma frase familiar que ecoa na nossa cabeça, que nos alerta para o que estamos a fazer bem ou mal, uma sociedade inteira a apontar-nos o dedo. Somos constantemente observados e no fundo mantemo-nos iguais. Há sempre um livro que deixamos para ler amanhã e esse amanhã pode ser daqui a três anos. Falamos sozinhos, esquecemo-nos de viver, agarramo-nos demasiado ao material e ao conforto e em menor dose às vontades. Somos pessoas sérias num mundo em que o crescer deixa para trás o brincar. Deveríamos saber dosear tudo bem melhor.

 

 

«TODOS OS DIAS HÁ FRASES QUE SE TRANSFORMAM,

TODOS OS DIAS IMAGINO-ME A VIVER COMO ELA.»

 

DES: Qual é a sensação de voltar dois anos depois ao texto? Há diferenças?

Gi da Conceição: Agarrei no texto e pensei “Decorei isto tudo?”, “Parece que nunca li esta frase antes”, “Como é que eu interpretava esta frase desta maneira e agora é tão claro que ela só fica bem desta maneira?”. Foi mais ou menos isto, mas é um texto belíssimo onde descubro camadas novas de cada vez que lhe pego. Todos os dias há frases que se transformam, todos os dias imaginome a viver como ela. É impossível não haver diferenças passados dois anos. Felizmente há. E que sejam para melhor, sempre.

 

DES: Ansiosa?

Gi da Conceição: Bastante ansiosa. Bastante feliz. E fazê-lo em São Pedro do Sul, minha terra natal dá um frio na barriga. Dos bons. Voltar a este texto faz-me lembrar um momento de grande euforia, tendo sido este o primeiro espetáculo que apresentámos como Companhia de Teatro Perro e ao mesmo tempo, nunca me esquecerei que no dia seguinte da estreia a nossa Beira ardia destruidora de sonhos, vidas e onde todos fomos um pouco Germana.

DES: Obrigado.

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5 de Outubro'19

Bilhete: 5 euros 

Informações | Reservas: Cénico Grupo de Teatro Popular

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Produção TEATRO PERRO e GAMBIARRA - ASSOCIAÇÃO CULTURAL

'Germana, a begónia' é a primeira criação da Companhia de Teatro Perro. O espectáculo estreou a 14 de Outubro de 2017 no Centro Cultural de Tábua, horas antes dos inesquecíveis incêndios que deflagraram no centro do país. Infelizmente, as trevas que o texto anuncia tornaram-se proféticas horas depois da estreia. Quase no fim do espectáculo, Germana diz «A sombra já não está no limiar das fogueiras. A sombra está lá fora e dentro de mim.» Mas o texto da peça também diz «Enquanto estiverem estas luzes ligadas, mesmo que nada aconteça, algo muda de lugar dentro de vocês, constantemente.» Que sejam igualmente proféticas estas. Faça-se Luz! Faça-se Luz!
Integralmente concebido e produzido por Teatro Perro (Gambiarra - Associação Cultural), este espectáculo marcou a estreia de um projeto artístico crente que a existência humana não se resume a ganhar ou perder.