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CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

12 de Março, 2021

JEAN SARTIEF

Jean Sartief nasceu no Brasil e vive em Portugal. Tem cinco livros publicados e marcado presença em várias revistas literárias. Ganhou múltiplos prémios em concursos de poesia.

As artes visuais são uma paixão, tendo participado em diversas exposições e amealhado também alguns prémios. 

O seu Instagram tem sido um livro de poesia inédita. 

O inseto e eu

 

Olhei a lâmpada.

As asas do bicho voador,

velozes.

 

Rodopios mortais!

 

Ainda há tempo

para abrir os olhos,

abandonar a armadilha

e seguir voando.


Jean Sartief 

thumbnail_2.jpg©js


DES: A ilustração é uma forma de poesia? 

Jean Sartief: A ilustração é um campo lindo, difícil e atraente. Há uma poética na ilustração como em outras artes e cada uma encontra em si a sua expressão: no campo da percepção, do lúdico, do criativo. A ilustração caminha nesse encontro da imagem, da imaginação e da linguagem.

 

DES: “Esperar o corpo esquecer a dor e aceitar o fim” é o resumo da vida de um poeta? 

Jean Sartief: A dor impulsiona-nos, mas também deixa sequelas, torna-nos exaustos. Quando o corpo esquece a dor é possível seguir em frente com maior leveza e nessa leveza se constrói outros caminhos. Não sei se é possível resumir a vida de um poeta... há uma profundeza, muitas vezes indecifrável, na alma de todo o poeta que não damos conta.

 

DES: Cincos livros publicados. Quais são os maiores desafios da escrita? E das publicações?

Jean Sartief: Em 2020 lancei o e-book 'Jardim dos Abismos'. Há muitos desafios na escrita e cada autor tem as suas batalhas e moinhos, mas essencialmente é importante para o autor encontrar a sua linguagem. Isso torna-o único. Falar de publicações é refletir sobre o mercado editorial e a poesia tem um público cativo. Embora não seja o diamante das grandes editoras que continuam retraídas, preferindo autores já consagrados (garantia de retorno fácil) do que no investimento em novos autores e formação de público. O lado bom da última década é ver o nascimento de várias revistas especializadas em poesia (impressas e virtuais) e de editoras independentes que têm feito um excelente trabalho. Como a editora Patuá, no Brasil. No mercado ainda existe a autopublicação, onde os autores são os próprios editores e por fim, os campos virtuais que crescem bastante e proporcionam ótimo campo de atuação para que os autores encontrem novos públicos. E há que dar-se destaque ao trabalho de livrarias espetaculares em relação aos livros e autores. Cá no Porto, a Poetria e a Flâneur são um exemplo e merecem toda a atenção da comunidade.

 

DES: Quando começaste a interessar-te pela poesia? 

Jean Sartief: Desde muito cedo. Já na escola. Fascinavam-me os poetas.

 

DES: Qual os temas que preferes escrever? 

Jean Sartief: A minha poesia é confessional e, em certo sentido, política também.

 

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DES: Qual o factor principal que dinamiza os poemas?

Jean Sartief: A polissemia. Quando um poema confere asas ao leitor ele jamais retorna ao mesmo pouso.

 

DES: O que estás a ler?

Jean Sartief: Leio muitos ao mesmo tempo, mas não me esforço a uma leitura rápida. O que me gera um acúmulo de livros para ler – o que por um lado é bom! Atualmente finalizei uma releitura de Contos, de Eça de Queiroz; agora sigo com o ótimo 'Sombra Fria', de Christi Rochetô (também de contos). Há ainda Adonis (poemas) e uma coletânea de poesias da DiVersos - Poesia e Tradução. Também comecei 'Torto Arado', de Itamar Vieira Junior, ganhador do Oceanos.

 

DES: O coração é uma chave?

Jean Sartief: É uma das chaves que abre a complexa dimensão humana, mas com certeza a mais importante.

 

DES: Em que medida é que a sensibilidade é importante na ilustração? 

Jean Sartief: É essencial.

 

DES: Onde tens as melhores ideias criativas? 

Jean Sartief: A vida continua a ser a maior fonte de ideias criativas. A arte tem que dialogar com o seu tempo e com o que acontece.

 

DES: Tens algum trabalho que consideres especial?

Jean Sartief: Normalmente o último trabalho é o mais especial porque é nele que estamos mergulhados. Infelizmente, não publicamos com o mesmo fluxo que escrevemos. Já tenho 3 livros inéditos para vir ao mundo e o último deles, toca-me profundamente.

 

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DES: Como sais da rotina criativa? 

Jean Sartief: O labirinto sempre me interessa, mas para tudo na vida é necessário equilíbrio e para chegar ao equilíbrio é necessário cair algumas vezes. Hoje, a própria vida em seus ritmos e contratempos indica-nos que a flexibilidade é o caminho.

 

DES: Qual foi a coisa que te disseram sobre o teu trabalho que mais te marcou até hoje? Pela positiva. 

Jean Sartief: Acho que algo que me marcou foi uma citação de Ariano Suassuna ao mencionar publicamente em uma entrevista, na época, que havia utilizado uma poesia minha para um livro que estava a escrever.

 

DES: O que significa um prémio para ti?

Jean Sartief: É sempre a possibilidade de alcançar um maior número de leitores através da visibilidade que determinados prémios podem proporcionar. Com certeza, o maior prémio para qualquer autor é ser lido e que sua obra seja amada pelos seus leitores. Quando o prémio é conferido pelos seus pares ou profissionais da área vejo também como um respeito e homenagem.

 

DES:Saudade é...

Jean Sartief: Saudade é uma lava. Enquanto quente pode ser devastadora e bela. Quando fria, compõe a paisagem.

 

DES: No futuro quais são os teus objectivos? 

Jean Sartief: Publicar e escrever. Escrever e publicar.

 

DES: Obrigado

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