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Des i - depois, em seguida

CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

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Luís Correia Carmelo

É licenciado em Estudos Teatrais, Mestre em Estudos Portugueses (Representações da Morte no Conto Tradicional Português, Colibri, 2011) e Doutor em Artes, Cultura e Comunicação, com a tese Narração Oral: uma arte performativa.

Conta histórias desde 2003, em bibliotecas, escolas, associações, teatros e festivais, em Portugal e no estrangeiro. Organiza encontros e conferências dedicadas à narração oral. Criou projectos como os Contapetes, os Contapetes Bebés, aBarraquinha dos Contos, as Contatinas. Azinhaga é o mais recente projeto musical "que propõe um cancioneiro original, bem disposto e em português, que fala da vida sem se levar demasiado à sério".

 

É autor do livro Matilde.



 

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 ©CATHERINE SUÁREZ

 

Arte VS Ofício?
Quando era pequeno diziam-me que não se consegue viver da Arte. Acho que, então, prefiro Ofício.


Biblioteca VS Rua?
Depende das pessoas que aí habitam, que são quem faz da Biblioteca uma Rua (temos bons exemplos em Portugal) e da Rua uma Biblioteca (também me lembro de algumas).


História VS Concertina?
Quando as duas se encontram.


Espelho VS Vitrine?
O Espelho. É para dentro, não? Talvez me sinta mais à vontade vendo-me (apesar da consciencialização dos defeitos) do que mostrando-me (apesar da necessidade de atenção).


Sonhar VS Matilde?
Matilde. Porque é um sonho bom. Sonhar, nem sempre.


Encontros VS Desencontros? 
Encontros, que são um prazer vivido. Os Desencontros são algo de que não temos consciência no presente. São o que podia ter sido. Coisa triste.


Crianças VS Adultos?
Gente.


Espectáculo VS Abraço?
Um bom Abraço, sentido, é um Espetáculo. É como uma imperial bem fresquinha ao fim da tarde com um amigo que se encontra por acaso... O som da rolha a saltar de uma garrafa de tinto escolhida com preceito para uma visita não anunciada e bem querida… O colo da pessoa amada quando nos dá uma daquelas tristezas profundas… Um jantar animado em que ninguém se entende porque estão todos a falar por cima uns dos outros tal é a euforia de se estar entre amigos… tudo isso é a vida como um grande Abraço, não é?

 

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©DANIELA GARCIA

 

Passaporte VS Silêncio?
Depois desse jantar com amigos, Silêncio. Também é preciso.


Amor VS Ponto de Vista?
Amor. Por aqueles versos bonitos do Vinicius que sei de cor ainda não sabia eu o que era um beijo, “de tudo ao meu amor serei atento…”.


Livro VS Liberdade? 
Livro. Porque existe mesmo. É concreto e palpável. Pega-se. Folheia-se. Lê-se. Sente-se nos dedos. Dá-se ou se empresta. Devolve-se. Perde-se e não é uma tragédia.


Capítulos VS Uno?
As unidades fazem-me confusão e deixam-me desconfortável. Capítulos.


Raízes VS Estrelas?
Estrelas, que bem sinto a falta delas.


Azinhaga VS Cores?
Azinhaga sempre.


Esperar VS Correr?
Não sei qual detesto mais. Mas acho que prefiro Correr. Principalmente se a opção for Esperar.

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 ©José Pablo Molina Sibaja


Pátria Vs Personalidade?
Confesso que me soa estranha a primeira palavra. Ainda se usa? Sou transatlântico. Nasci em Portugal, cresci no Brasil ouvindo histórias de África e há vinte sete anos que voltei para debaixo destas estrelas (que não incluem o meu saudoso Cruzeiro do Sul). Sinto-me Brasileiro quando, em casa, canto ao som do Alceu Valença, do Renato Russo, do Chico Buarque, do Caetano Veloso, meu favorito, entre tantos outros. Sinto-me Português quando o trabalho me leva longe e tenho saudades. Sinto-me Ibérico entre os meus amigos do outro lado do rio, gente tão próxima. Sou Europeu quando penso o mundo. Nunca me ocorreu essa coisa do global, mas quem sabe um dia? Enfim, Pátria soa-me a algo estranho e passado, um coro de vozes radiofónicas cantando um hino, carteiras enfileiradas e uniformes bem passados numa sala de aulas unissexo, gente jovem enterrando amigos e dando a vida por razão nenhuma que se entenda. Enfim... 


Solidão VS Eternidade?
Na Solidão dos Campos de Algodão de Bernard-Marie Koltès é um dos meus textos favoritos. Não consigo pensar na palavra e não me lembrar imediatamente dele. 


Hoje VS Amanhã?
Hoje. E já, se puder ser.


Perguntar VS Responder?
Perguntar. A curiosidade é uma das qualidades que mais aprecio em alguém.


Medo VS Conquista?
Graças ao Medo, muitas foram as coisas estúpidas que nem sequer cheguei a fazer. Não sei o que seria de mim sem ele. Para não referir o prazer imenso de ver um bom filme de terror (sem grandes maquilhagens), altas horas da noite, com aquele Medo miudinho e sobressaltos sempre que há uma boa mudança de plano. Também há um bom sentido de Medo, parece-me. Conquista, por outro lado, só associo a sentimentos negativos.

Obrigado, Luís.