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Depois em Seguida

CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

01 de Maio, 2020

Nevoeiro em Agosto, de Kai Wessel

Por Amaro Figueiredo 
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©Divulgação

★★★★☆

O realizador Kai Wessel surpreende – sempre – pelos seus dramas silenciosos – quem não se lembra de March of Millions –, na verdade, pelas lições que deles se podem colher. Às vezes, o silêncio é um alerta para que não se volte a cair nos mesmos erros e uma ocasião para que seja repensada a crueldade passada. Como noutros momentos da História as guerras não são «um mal que vem por bem».

                                 

Nevoeiro em Agosto (baseado no livro de Roberto Domes, com factos reais), é um jogo de interesses egoístas, que salienta a limitação moral, os valores éticos e outras atrocidades cometidas durante a 2.ª Guerra Mundial.

 

O poder da “mão invisível” que-faz-tudo-e-que-pode-tudo. Ódio/racismo: é disso que se trata. O ódio pessoal e político pelo outro, crianças ou adultos, doentes ou não doentes. O nojo pela pessoa deficiente e a falta de subsidiariedade. A indiferença de forjar o destino dos outros. O silêncio da falta de dignidade na própria morte é medonho no filme.

 

E o amor? O amor há de chegar com a certeza de um miúdo cigano (comunidade nómada yeniche) que começa a lutar pelo direito à vida de uma minoria, capaz de enfrentar o medo e o destino. Para Ernest Lossa ( Ivo Pietzcker, personagem principal) a felicidade será sempre desejar aquilo que se ganhou até ao momento – amor e amizade –, e até mesmo a solidão de uma família.

 

Com ordens de Hitler, 200.000 pessoas (homens, mulheres e crianças) portadoras de deficiência física e mental, doentes crónicos e órfão morreram entre 1939 e 1945 sem deixar suspeitas. Um dos métodos utilizados foi a “Dieta da Fome”, sopa sem nutrientes, as vitimas morriam de desnutrição mesmo comendo.

 

Sinopse

Ernest é considerado incorrigível e o rapaz, já com 12 anos, é enviado para um hospital psiquiátrico. É aí que irá descobrir, pela primeira vez, a amizade e o amor, mas é também o momento em que começa a desconfiar do que realmente acontece naquele hospital.