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CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

15 de Maio, 2020

#odiaemqueopoemarebentoudochão, Rosa Maria Coelho

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© Carlos Daniel Marinho 

 

Sempre Nós

 

Era Maio e as minhas mãos

Vazias e nuas

Num repente encontraram as tuas

E ali ficaram

Quietas, mudas

Com sede, de tudo que não sabiam

Mas queriam

E adivinhavam nas tuas

Não me perguntes porquê,

Tive vontade que aquele tempo

Fosse para sempre assim

Não me perguntes porquê,

Tive vontade de me colar em ti

Fazer no teu ombro, o meu futuro

Não me perguntes porquê,

Tive tantas vontades

Decerto iguais às tuas,

Mas tantas...,

Que quase quis ali, ficar nua

De tudo,

Do resto que pra mim já não existia,

Já que só tu me valias

Não me perguntes porquê,

Mas desejei mil vezes que a tua boca

Sonhasse com a minha

Me beijasse inteira

E como num sonho voássemos, até à Lua

Não me perguntes porquê,

Mas a partir dali cada dia, era menos um peso

Pois só sonhava em ser tua

Toda tua,

Não de beijos

Não de abraços

Mas inteira, de corpo e alma acesa

Os dois fundidos num só, iluminados pelo Sol

Tapados pela Lua

E juntos, assim, unos sermos

Naquele estar de mãos cingidas, coesas

Que nada devia nunca separar...

Não me perguntes porquê,

Mas foi sempre assim o meu sentir e estar...

É ainda assim que nos sonho

Envoltos em lençóis de seda,

Nus, tu e eu,

Numa junção Cândida e infinda

Amor que sofre, chora e sorri,

Amor que é para toda a vida

Não me perguntes porquê? ...

 

Rosa Maria Coelho

 

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