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Depois em Seguida

CULTURA | MUNDO | ENTREVISTAS | OPINIÃO

02 de Maio, 2020

Ricardo Azevedo

Por Amaro Figueiredo 


Impunha-se uma homenagem à música.  

Quem encarna o espírito português tão bem como o Rui Veloso e o Pedro Abrunhosa, conservando-se tão eterno como Roy Orbison?  Resposta: Ricardo Azevedo.

Ricardo Azevedo nasceu no ano mais importante do punk rock.  É compositor, músico e cantor. Coincidência. “Pequeno T2”, “Daisy”, “Somos dois espaços” ou “O amor não me quer encontrar”? Quem não se lembra destas músicas?

Foi vocalista dos EZ Special e, em 2010, um dos oito convidados de “Playlist” (canal Biography), sobre projectos marcantes do cenário musical português.

O Ricardo é pai da Francisca.

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©RA

DES: Comecemos pelo início: sempre te imaginaste como cantor? Como percebeste que querias estar ligado à música? Ou pensavas ter outra profissão?

Ricardo Azevedo: Não. Quando andava na pré-primária dizia que queria ser bombeiro ou polícia. Mas a música começou cedo a despertar em mim. Lembro-me de ter uns 5 anos e ficar maravilhado com o filme "Grease" que deu na RTP. Foi com naturalidade que quis aprender a tocar guitarra na minha adolescência. Comecei a desenvolver aptidões como autor e interprete.
Só comecei a acreditar em fazer disto profissão com a música "Daisy" em 2002.

 

DES: Em que medida é que o amor é importante no vosso processo criativo?

Ricardo Azevedo: Tudo é importante. A nossa vida e o nosso equilíbrio vai influenciar o que compomos. Tanto musicalmente como nas letras. Se estivermos a sair de uma relação, será natural fazer um disco mais pesado e escuro. Se estivermos mais felizes, a música será mais alegre, positiva e leve. Tal como o ambiente em que vivemos. Um artista que viva num ambiente tropical terá um tipo de música diferente de outro artista que viva no frio. Somos humanos...

 

DES: Preferes a ideia – letra – ou a música?

Ricardo Azevedo: Neste momento tenho muitas formas de chegar a uma música. De forma a motivar-me e pisar territórios diferentes, tenho vindo a mudar constantemente. Mas normalmente é mais fácil começar pela música.


DES: O que consideras um trabalho irreverente na música?

Ricardo Azevedo: É fazer algo diferente. É difícil ir por esse caminho porque as pessoas gostam de familiaridade / popularidade e temos que obter resultados para ter trabalho.

 

ricardo aze 4.jpg©RA

DES: Estamos sempre a tropeçar na eterna pergunta: porque é que Portugal não valoriza os seus talentos?

Ricardo Azevedo: Verdade. Os Portugueses valorizam mais o que vem de fora. Um artista estrangeiro tem uma promoção a nível global e vem com um sucesso diferente dos artistas Portugueses. Depois os artistas Portugueses tocam em todo o lado e acabam por se banalizar. Os artistas estrangeiros raramente passam por cá. Mas temos artistas com qualidade e capacidade para ter sucesso em qualquer lado.

 

DES: Quais foram as tuas referências musicais quando começaste a produzir o teu trabalho

Ricardo Azevedo: James, U2, Rui Veloso, The Smiths, Queen, Pearl Jam, Nirvana, Elvis, Roy Orbison, Bruce Springsteen, Inxs, Pedro Abrunhosa, Jeff Buckley. E tantos outros...

 

DES: O que mais te inspira no outro e porquê?

Ricardo Azevedo: Vivemos numa sociedade muito superficial e interesseira, pelo que adoro simplicidade, sinceridade e transparecia. Inspira-me reciprocidade e sobretudo pessoas boas.


DES: Quais foram os melhores momentos, desde que começaste a “enfrentar” o público em festivais, concertos?                    

Ricardo Azevedo: Comecei em 2000 com os Ez Special e depois veio a minha carreira a solo. Foram tantos os momentos... Destaco a viagem que tem sido estes 20 anos de carreira.

 

DES: Em termos de mecenato na Cultura, como vês a realidade actual na música?

Ricardo Azevedo: A música está sempre a mudar. Quando comecei a música assentava no mercado discográfico. Hoje assenta nos concertos. Neste momento de pandemia está tudo parado. Vamos ver e esperar que tudo volte a normalidade.

ricardo az.jpg©RA

DES: O que gostavas de fazer que ainda não tiveste oportunidade de concretizar? 

Ricardo Azevedo: Muita coisa. Há muitas músicas que quero trabalhar que tenho em gaveta e muita estrada para fazer. Estou adorar fazer canções para os manuais escolares da Areal Editores por exemplo e trabalhar com os mais novos.


DES: Como vês o futuro da música?

Ricardo Azevedo: Espero que isto volte à normalidade. Talvez teremos que esperar por uma vacina ou um medicamento eficaz. Isto vai passar e temos que continuar! Haverá sempre música enquanto existir humanidade.


DES: Há alguma coisa de que te arrependas muito?

Ricardo Azevedo: Não! A vida é feita de escolhas e faz parte do nosso crescimento tanto as coisas boas como as menos boas.

 

DES: Como ocupas os teus tempos livres?

Ricardo Azevedo: Faço desporto, ouço música, vejo filmes e gosto de passar tempo com a minha filhota Francisca.